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Aldeias históricas de Portugal, o que visitar? Roteiro de 5 dias

por Fábio Santos

As Aldeias Históricas de Portugal são um conjunto de 12 de aldeias distribuídas pela Beira Interior que têm o dom de nos transportar no tempo até ao Portugal Medieval. Longe da emoção e da azáfama de outros tempos, hoje estas aldeias são sobretudo um conjunto de marcas que o tempo não apagou e, realce-se, que ainda bem. Os altaneiros castelos continuam presentes, as igrejas e capelas seculares, os pequenos palacetes e casas senhoriais, os pelourinhos e tanques comunitários e, claro, as muralhas que as protegem. A beleza do património, seja ele histórico, religioso ou cultural está lá todo, o que foi desaparecendo ao longo dos anos foram as suas gentes, no conhecido processo que assola o interior do nosso país – a desertificação.

Embora as pessoas que por ali habitam sejam cada vez menos são elas ainda a memória viva de muitas das lendas, das histórias e dos costumes das aldeias que contam com cerca de 900 anos de história. E é esse património imaterial que também importa guardar e explorar na sua visita!

Aldeias Históricas | Dicas e Informações

O que são as Aldeias Históricas de Portugal?

A Rede de Aldeias Históricas de Portugal são um conjunto de 12 aldeias localizadas no interior centro de Portugal, com vários elementos em comum: a origem romana ou medieval, o importante papel desempenhado na História de Portugal e na defesa do Reino e semelhantes características arquitetónicas.

Geograficamente, todas as aldeias pertencem à Beira Interior e estão distribuídas por três distritos e dez concelhos. As aldeias integrantes desta rede são: Idanha-a-Velha, Monsanto, Castelo Novo, Belmonte, Sortelha, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Almeida, Trancoso, Marialva, Linhares da Beira e Piódão.

Curiosamente apenas seis deste conjunto de Aldeias Históricas são realmente aldeias, visto que Almeida, Belmonte, Castelo Novo e Castelo Rodrigo são classificadas como vilas e Trancoso como cidade.

Quando visitar?

Na nossa opinião as melhores épocas para visitar as Aldeias Históricas é na Primavera ou no Outono. Na Primavera é o momento em que a natureza se torna mais exuberante e as cores e os cheiros primaveris tornam ainda melhor a experiência, para além das temperaturas serem por norma amenas, o que facilita a viagem. No Outono as temperaturas voltam a baixar e Beira Interior enche-se de tons castanhos, as folhas e caiem o que cria efeitos visuais lindíssimos que costuma agradar aos fotógrafos.

Como organizar a viagem?

Visitar as Aldeias Históricas de Portugal de forma conveniente demora cerca de 1 semana de modo a conseguir aprender e conhecer um pouco de cada aldeia sem que para isso tenha de andar em correrias. A outra forma de conhecer as aldeias é dividi-las em duas ou três escapadinhas e agrupar pela proximidade um conjunto de aldeias e quem sabe juntar a mais alguns locais das redondezas, como a Beira Baixa ou a Serra da Estrela.

Relativamente ao meio de transporte acreditamos que a única forma de o fazer confortavelmente e com possibilidade de ir a todos os locais é com recurso a automóvel próprio ou alugado.

Onde dormir?

Num roteiro pelas Aldeias Históricas de Portugal organizar o alojamento tem bastante importância uma vez que as aldeias ficam bastante dispersas entre si. Caso pretenda montar um roteiro onde o objetivo é conhecer todas as aldeias, deve agrupar um conjunto de aldeias por dia e mudar de alojamento diariamente. Se por outro lado pretende realizar uma escapadinha de fim-de-semana aconselhamos a selecionar uma aldeia ou vila central de modo a facilitar as deslocações.

Em todas as aldeias irá encontrar boas opções de alojamento seguramente e acredite que dormir no interior de uma aldeia histórica tornará ainda melhor a experiência.

Caso decida seguir o roteiro que apresentamos de seguida, ao final de cada dia apresentamos as nossas opções de estadia.

Aldeias Históricas | Roteiro de 5 dias

O roteiro que apresentamos de seguida é apenas uma mera hipótese de organizar a viagem pelas Aldeias Históricas de Portugal. No nosso caso iniciámos por Idanha-a-Velha, pelo simples facto de ser a aldeia localizada mais a sul e por isso mais perto de onde residimos, Santarém. Para quem venha da região a sul da Beira Baixa acreditamos que esta é uma das opções mais vantajosas.

No nosso roteiro acrescentamos mais algumas localidades que acreditamos tornarem a experiência melhor. Na organização que dispomos abaixo salientamos a negrito as aldeias históricas:

Dia 1: Idanha-a-Velha – Penha Garcia – Monsanto

Dia 2: Castelo Novo Piódão – Foz d’Égua – Belmonte

Dia 3: Sortelha – Sabugal – Castelo Mendo – Ruínas do Castelo Bom

Dia 4: AlmeidaCastelo Rodrigo – Pinhel – Trancoso

Dia 5: Marialva – Penedono – Linhares da Beira – Folgosinho

Dia 1

Idanha-a-Velha

Pequena, mas com muitas histórias para contar, o tempo despendido em Idanha-a-Velha está sobretudo nos detalhes que os diversos povos foram deixando ao longo da história. A sua fundação remonta ao século I a.C., o que torna Idanha-a-Velha uma das mais antigas povoações da Rede de Aldeias Históricas.

A sua fundação remonta à ocupação romana na Península Ibérica e existem ainda vestígios desse tempo, nomeadamente alguns vestígios arqueológicos, as muralhas e a ponte romana do Rio Pônsul. Nas invasões bárbaras a aldeia foi tomada pelos visigodos e suevos, mais tarde esteve ainda sobre domínio muçulmano até que, no século XII, foi reconquistada pelos cristãos e posteriormente doada à Ordem dos Templários. Foi sobre a alçada dos templários que se construíram algumas das principais atrações de Idanha-a-Velha desde logo a Torre de Menagem, Igreja de Santa Maria e o pelourinho.

Penha Garcia

Embora não faça parte da Rede de Aldeias Históricas estando tão próximo não podíamos deixar de espreitar Penha Garcia. Localizada quase na fronteira com Espanha, a aldeia de Penha Garcia desempenhou um papel fulcral na defesa do território devido ao seu altaneiro Castelo de Penha Garcia.

A melhor forma de conhecer esta aldeia é caminhar pelas suas estreitas e acolhedoras ruas até ao cimo da Serra do Ramiro, onde se encontra o castelo de onde se consegue ter a vista perfeita para o vale do Rio Pônsul. Caso seja verão não deixem de visitar a Praia Fluvial do Pego, que na nossa opinião é uma das praias fluviais mais lindas de Portugal!

Monsanto

A última paragem do primeiro dia foi na aldeia de Monsanto, carinhosamente conhecida como a aldeia mais portuguesa de Portugal. A singularidade desta aldeia começa na sua inacreditável localização, no topo de uma montanha a cerca de 700 metros de altitude. A arquitetura de Monsanto demonstra que a engenharia civil é uma arte antiga dada a mestria desafiadora que as casas desta aldeia foram construídas, tendo algumas literalmente penedos às costas. O melhor do Monsanto é passear pelas ruas da aldeia e ser confrontado com estas pequenas maravilhas graníticas.

Monsanto tem dois grandes atrativos, a parte mais baixa onde encontramos os ditos casarios onde os penedos servem de parede e de teto e onde encontramos os principais marcos comunitários: Igreja Matriz, Igreja da Misericórdia, Miradouro da Praça dos Canhões e o Cruzeiro de São Salvador e depois a parte alta que se consegue aceder com uma breve caminhada por entre rochas até ao Castelo de Monsanto. O castelo localiza-se a 758 metros de altitude e de onde temos brilhantes perspetivas sobre a planície da Beira Baixa, sobre Espanha e sobre a Serra da Estrela, Malcata e Gardunha.

Onde dormir na 1º Noite?

Depois de um dia repleto de descobertas o melhor mesmo é pernoitar num local perto e acolhedor e por isso decidimos pernoitar em Monsanto, na Casa Pires Mateus. Um alojamento localizado logo à entrada da aldeia de Monsanto perto da Igreja Matriz. Esta casa tipicamente beirã conseguiu associar o conforto e o requinte contemporâneo à memória e decoração das tradições da beira. Recebidos com uma enorme simpatia pelo anfitrião, e alojados com imenso conforto e tranquilidade, a Casa Pires Mateus é um local de excelência para quem ousa ficar hospedado em Monsanto. Este alojamento apresenta uma excelente relação qualidade preço.

Dia 2

Castelo Novo

Começamos o nosso segundo dia pela aldeia de Castelo Novo no interior da Serra da Gardunha onde os penedos se juntam com a vegetação e originam uma bela paisagem natural. No meio da encosta surge Castelo Novo, com os seus casarios rochosos e ruelas de empedrado que tornam esta aldeia um local ainda mais mítico. O nome, Castelo Novo, deve-se à substituição de um antigo castelo, que já não possuía os requisitos necessários para defender o território, por um mais novo, isto no século XII.

Esta aldeia começa-nos a surpreender logo à entrada com a arranjada Praia Fluvial de Castelo de Novo. No interior irá encontrar uma bem preservada e arranjada aldeia, onde o som da água da serra a correr é uma constante nos imensos chafarizes existentes. O grande destaque está no topo da aldeia, o Castelo, onde recentemente foram instalados uns passadiços que facilitam a visita. Das ruínas e da Torre de Menagem obtém-se uma vista fascinante sobre a aldeia e sobre a Serra da Gardunha. No seu passeio pelo interior de Castelo Novo não se esqueça de tomar atenção ao edifício dos Antigos Paços do Concelho, Pelourinho, Igreja Matriz e Chafariz da Bica.

Piódão

Rumamos até à Serra do Açor para visitar a aldeia de Piódão, vencedora das 7 Maravilhas de Portugal na categoria Aldeias Remotas e sem dúvida uma das mais populares Aldeias Históricas de Portugal. Pela sua localização, empoleirada numa montanha rodeada de vegetação e pelos tons escuros das paredes de xisto das suas pequenas casas, tornam Piódão um verdadeiro paraíso para os fotógrafos. A sua estrutura, assente em socalcos onde se instalam pequenos casarios de xisto valem-lhe a alcunha de Aldeia Presépio.

De entre os tons escuros da totalidade das casas sobressai a Igreja de Nossa Senhora da Conceição com os seus tons de branco e barras azuis. O melhor de Piódão é caminhar pelas suas estreitas ruas de xisto e admirar os seus cantos e recantos, mas caso tenha tempo não deixe de visitar o seu Núcleo Museológico.

Foz d’Égua

Nas proximidades de Piódão localiza-se a pequena aldeia de Foz d’Égua onde se destaca a sua maravilhosa praia fluvial que tem um enquadramento paisagístico maravilhoso. A vegetação que rodeia juntamente com as duas pontes em xisto tornam este local verdadeiramente mágico.

No topo da montanha, que se consegue aceder por um carrossel de escadas, chega-se até um pequeno altar onde está um espelho de água e a figura de Nossa Senhora de Fátima que se encontra a observar a Serra do Açor.

Belmonte

A nossa última paragem do segundo dia foi a aldeia de Belmonte que, ao contrário da maioria das restantes aldeias que são por norma pequenas, Belmonte é uma vila ainda considerável. Um dos seus factos históricos mais importantes é o facto de ser a aldeia onde nasceu Pedro Álvares Cabral, o navegador português que descobriu o Brasil em 1500. Além disso, Belmonte foi a localidade onde se fixou a primeira comunidade judaica no século XV. Esta comunidade, sobreviveu à expulsão dos judeus do nosso território, sendo ainda hoje a maior comunidade judaica em Portugal. Em Belmonte irá encontrar vários locais alusivos à comunidade, desde logo a Sinagoga Bet Eliahu, o Museu Judaico e a Judiaria.

Para além dos locais relacionados com a comunidade judaica, os locais que não pode mesmo perder na visita a Belmonte é o seu Castelo, com a sua belíssima janela manuelina, que é de facto o seu principal ex-líbris. Não deixe de percorrer as suas ruas enquanto descobre alguns dos locais mais importantes como: Igreja Matriz de Belmonte, Igreja de São Tiago, Museu dos Descobrimentos que se encontra instalado no Solar dos Cabrais e o Largo do Pelourinho onde se encontra os Paços do Concelho.

Outro local imperdível é Centum Cellas, localizado a cerca de 3km de Belmonte na localidade Colmeal da Serra. Centum Cellas é nada mais do que uma misteriosa torre romana que ninguém sabe ao certo qual foi a sua finalidade. Através das escavações que tem ocorrido na região apontam a sua origem para o século I d.C e terá feito parte de uma vila romana que ali existia.

Onde dormir na 2º Noite?

Relativamente perto de Sortelha e do Sabugal, em Rapoula do Côa, localiza-se o Cró Hotel Rural num local isolado que consideramos ser o refúgio perfeito para repor as energias para mais um dia de longas caminhadas. Elegante, com um design contemporâneo, mas arrojado, o Cró Hotel Rural tem nas suas termas e piscina interior o seu grande cartão-de-visita com inúmeras opções e certamente todas elas muitos relaxantes. Os quartos são espaçosos e confortáveis com a benesse de ter uma banheira panorâmica com uma vista para a natureza que circunda o hotel. O glamour do Cró Hotel Rural sai do quarto para a mesa, tanto do seu restaurante, onde jantamos e muito bem, como no pequeno almoço que é variado e uma delícia.

Dia 3

Sortelha

O nosso terceiro dia começou pela aldeia de Sortelha, uma das mais antigas aldeias de Portugal e uma das que mais nos surpreendeu.  Sortelha revela-se ao longe, pela mão do seu castelo, que foi construído no alto do monte onde em redor nada há mais do a beleza da paisagem beirã. É do seu alto que as vistas impressionam, pela sua tranquilidade e pela ausência de construção num horizonte que se estende até à Serra da Estrela.

A fundação desta pequena aldeia remonta à era medieval, mas foi no reinado de D. Sancho II que Sortelha renasceu, devido às necessidades defensivas desta zona raiana. Embora militarmente necessária, grande parte da população abandonou aos poucos a aldeia por culpa dos seus terrenos pouco férteis, tendo por isso se deslocado para outras povoações das redondezas. Esse afastamento contínuo da população congelou Sortelha no tempo e foi exatamente essa possibilidade de revisitar o passado que nos encantou.

Os locais que não pode deixar de visitar na sua ida a Sortelha é o seu Castelo (muralhas e Torre do Facho), as Portas da Muralha, Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves e o Largo do Pelourinho.

Caso seja fã de baloiços, um pouco antes de chegar a Sortelha encontra-se o Baloiço de Penalobo que para além de ser super fotogénico, é dono de vistas soberbas sobre as paisagens da Beira Interior.

Dica: Águas Radium

A cerca de 5km de Sortelha encontram-se as ruínas de um antigo Hotel Termal, chamado Águas Radium. A quem por ali passa, julga tratar-se de um castelo abandonado digno de uma história de bruxas, mas não, trata-se apenas de um enorme complexo hoteleiro em degradação com cerca de um século de existência.

Sabugal

O Sabugal não integra a Rede de Aldeia Históricas, mas uma vez estando tão perto desta vila seria um crime não a conhecer. Ao passar por esta vila o que chama imediatamente à atenção é o Castelo de Sabugal e em especial pelo seu formato peculiar, tanto que o apelidam de Castelo das Cinco Quinas pelo formato incomum da sua Torre da Menagem. Localizado numa elevação na Serra da Malcata com vista privilegiada para o Rio Côa, privilégio importante na antiguidade e na era medieval como forma de controlo das travessias.

Para além do castelo, quando passar pelo Sabugal, conheça também o Museu do Sabugal, o Largo da Fonte, a Igreja Matriz e da Misericórdia e, caso, visite a vila num dia de verão aventure-se num mergulho na Praia Fluvial da Devesa.

Curiosidade: Milagre das Rosas

Certamente que já tiveram oportunidade de ouvir a lenda da Rainha Santa Isabel, esposa de D. Dinis, onde segundo reza a história terá transformado pão em rosas originando a conhecida frase: são rosas, senhor, são rosas. Não se sabe ao certo a localização onde afirmam ter ocorrido este milagre, mas uma das hipóteses mais aceites é no interior do Castelo do Sabugal.

Castelo Mendo

A nossa próxima paragem surge lá no alto envolta em muralhas, é a bucólica aldeia de Castelo Mendo, uma das menos povoadas e talvez por isso uma das aldeias históricas mais genuínas.

Embora existam indícios que remontam à Idade do Bronze e vestígios da presença romana, a grande parte das características arquitetónicas que ainda hoje podemos observar são maioritariamente medievais concebidos nos séculos XII e XIII como forma de proteger e repovoar o território após a conquista cristã. Um dos factos históricos mais marcantes de Castelo Mendo foi ser o local em que se realizou a Primeira Feira Oficial de Portugal em 1229, onde os compradores e vendedores estavam completamente isentos de impostos. O principal revés da história de Castelo Mendo foi o terramoto de 1755, que embora tenha ficado conhecido por devastar a Baixa de Lisboa, também destruiu as 8 torres da muralha mais recente.

Destruições à parte, o encanto desta aldeia esse permanece inalterado! Entrando pela Porta da Vila somos presenteados com a Igreja de São Vicente e ao seguir pela Rua Direita somos surpreendidos pelos detalhes manuelinos dos seus casarios até que chegamos à Igreja Matriz. O importante é guardar forças até ao ponto mais alto da aldeia onde ficará rendido à paisagem onde as ruínas da Igreja de Santa Maria são o principal destaque.

Castelo Bom

Nas proximidades de Castelo Mendo encontra-se outra localidade que merece ser visitada dada a sua longa história, mesmo que não esteja presente na Rede de Aldeias Históricas, trata-se de Castelo Bom. Esta aldeia é uma das freguesias de Almeida e existem indícios que Castelo Bom é povoado desde a Idade do Bronze, um desses indícios é uma espada que se acredita ser dessa época. Nos séculos XII e XIII durante a reconquista cristã este território era bastante disputado estando sobre domínio das forças do Reino Leão. O castelo só passou para a coroa portuguesa como dote da Rainha Santa Isabel com D. Dinis em 1282.

Com o passar dos anos o lugar foi perdendo importância até que grande parte do seu valioso património foi se degradando, como é o caso do seu castelo. Contudo na sua visita não deixe de visitar as ruínas da Muralha Medieval, o pelourinho, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção e o Miradouro de Castelo Novo.

Onde dormir na 3º Noite?

As Casas do Juízo é um Turismo de Aldeia localizado na Aldeia do Juízo, concelho de Pinhel e são um conjunto de oito casas de pedra magistralmente recuperadas com todas as condições de conforto exigidas nos dias de hoje, mas mantendo toda a estrutura original. Com todo o conforto e tranquilidade, pernoitar nas Casas do Juízo é uma oportunidade de relaxar num ambiente de aldeia bem característico da região beirã portuguesa.

Dia 4

Almeida

O quarto dia de roteiro pelas Aldeias Históricas começa pela aldeia de Almeida conhecida pela sua impressionante fortaleza abaluartada em forma de estrela de 12 pontas. Esta vila medieval rodeada por muralhas foi durante séculos palco de diversas lutas como as Guerras da Restauração às Invasões Francesas, momento em que ocorreu o famoso “Cerco de Almeida” em 1810.

Ao chegar à praça-forte de Almeida percebemos que estamos a visitar algo realmente imponente e certamente um dos mais importantes sistemas militares de Portugal. Descobrir satisfatoriamente Almeida demora algum tempo e há sítios que não deve deixar de conhecer, como as muralhas da praça-forte, o museu militar, o castelo e a torre do relógio, picadeiro d’el Rei, casamatas, a igreja matriz e da misericórdia. Nada como calcorrear toda a vila que decerto irá tropeçar em todos estes locais marcantes.

Castelo Rodrigo

Ainda na estrada surge lá no alto, Castelo Rodrigo, cintilando com os seus tons dourados dos torreões. Ali a história fez-se com séculos e séculos de acontecimentos desde os tempos mais remotos, do paleolítico, passando por romanos e árabes para no século XIII, no Tratado de Alcanizes, passar a fazer parte da coroa portuguesa. Peripécias são mais que muitas numa história recheada de momentos que tornam Castelo Rodrigo num local único. A sua fama e importância é tanta que lhe valeu a condecoração como uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria Aldeias Autênticas.

Ao entrar pela Porta do Sol ficamos com a sensação de estarmos a reviver a época medieval e, ao caminhar aleatoriamente nas suas ruas, de estar a vivenciá-la. Na sua visita não deixe de conhecer alguns dos seus mais importantes monumentos como o Palácio Cristóvão de Moura, Pelourinho, Igreja Matriz, o castelo e suas muralhas.

Pinhel

Pinhel foi outro dos nossos desvios à Rede das Aldeias Históricas, mas um desvio merecido por uma vila onde os antepassados remontam à pré-história como confirmam as gravuras rupestres do Vale do Côa. Pinhel é conhecido pela sua bravura, os pinhelenses estiveram na luta pela defesa da independência nacional, de tal modo que é apelidada como Cidade Falcão pelo seu patriotismo e coragem.

Visitar o centro de Pinhel carece de alguma atenção de modo a apreciar os detalhes do património medieval, mas com especial atenção ao Castelo e as suas Torres, o Antigo Paço Episcopal, o Solar dos Távoras, a Praça Municipal e o Parque Municipal da Trincheira.

Trancoso

A nossa última paragem no quarto dia foi a histórica aldeia de Trancoso que devido à sua localização privilegiada, nas redondezas de importantes rios, o Douro, Mondego e Côa, foi várias vezes palco de sangrentas batalhas. Na Idade Média foi sempre um centro de grande instabilidade, tanto no confronte entre cristãos e muçulmanos como mais tarde entre o reino de Portugal e os reinos vizinhos. A Batalha de Trancoso entre portugueses e castelhanos é prova da importância militar desta região, batalha essa ganha pelos portugueses. Trancoso é ainda a localidade do misterioso Bandarra que foi “poeta, profeta e sapateiro” e para sempre uma inspiração para muitos escritores.

Iniciamos a visita pela Porta d’El Rei caminhando pelas ruas históricas e apertadas, algumas delas com as paredes forradas de hortênsias, chegamos até à Praça D. Dinis onde se encontra o pelourinho e a Igreja de S. Pedro e da Misericórdia. Depois suba até ao Castelo de Trancoso e pasme-se com a vista para a vila e para a envolvência natural da região, num dos castelos mais marcantes de Portugal.

A comunidade judaica teve em Trancoso uma das mais numerosas comunidades, que durante a Inquisição viveu séculos verdadeiramente dramáticos. Para descobrir a história judaica de Trancoso visite o Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso e a Casa do Gato Preto. Se tiver algum tempo ou curiosidade visita a Casa Bandarra, Palácio Ducal e a Porta do Prado.

Onde dormir na 4º Noite?

No centro de Trancoso, da recuperação de um antigo solar, surgiu um requintado alojamento que é a fusão perfeita entre o aconchego do antigamente e a decoração vanguardista. No Solar Sampaio e Melo sentimos-mos tão bem que o seu conforto quase nos vencia a motivação de conhecer as restantes Aldeias Históricas. Para além das excelentes condições do quarto (higiénico, design intimista, cama muito confortável) o pequeno almoço é uma verdadeira delícia. Caso a sua visita seja durante os meses de verão existe ainda uma bela piscina exterior.

Dia 5

Marialva

O nosso último dia pelas Aldeias Históricas de Portugal começa por Marialva que surge no horizonte no alto de um penedo granítico quando ainda distam alguns quilómetros. Marialva é História, tanto de Portugal como dos nossos antepassados, há indícios que esta aldeia foi povoada por aravos, seguida de lusitanos, mais tarde viria a ser reconquistada pelos romanos e posteriormente conquistada pelos árabes até que no século XII se tornou parte da Coroa Portuguesa.

Marialva divide-se em três núcleos: a Cidadela (interior do castelo), Arrabalde (vila além da muralha) e a Devesa (a sul da Cidadela). A zona da Devesa é a primeira a surgir onde encontramos a Capela de Nossa Senhora dos Remédios e o Cruzeiro da Devesa depois subimos até à zona denominada Arrabalde, onde encontramos a Igreja de São Pedro. No interior da Cidadela, dentro do castelo, é que sentimos fazer parte da história, o interior do castelo encontra-se parcialmente em ruínas, mas onde se consegue ainda conhecer a cisterna quinhentista, os antigos Paços do Concelho e a Igreja de Santiago.

Curiosidade: Qual a ligação entre o Processo dos Távoras às ruínas do Castelo Marialva?

O Processo dos Távoras surge após a tentativa de morte de D. José I onde o Marquês de Távora e o Duque de Aveiro foram condenados e executados impiedosamente bem como vários membros das suas famílias, num processo pouco esclarecedor onde ficaram muitas dúvidas relativamente aos verdadeiros culpados. A hipótese, hoje em dia, mais aceite pelos historiadores é que toda a conspiração e processo foi uma manobra do Marquês de Pombal.

O que tem isto a ver com Marialva? Na época o Marquês de Távora era o alcaide (governador) de Marialva e com a sua morte e da sua família, o interior da Cidadela ficou desgovernado o que levou ao abandono da população. Esse abandono originou, com o passar dos anos e a falta de manutenção, que a cidadela se fosse degradando.

Penedono

Ao andar pelas redondezas não há desculpas em não dar um salto até Penedono, onde embora não pertença à Rede das Aldeias Históricas de Portugal, tem motivos mais do que suficientes para a visitar.

O principal atrativo desta aldeia é o singular Castelo de Penedono com o seu formato triangular, característica verdadeiramente rara. Os dados existentes apontam a sua construção para o ano de 1930, século XX, após a reconquista cristã da Península Ibérica numa conquista do Reino de Leão. No cimo do castelo temos o privilégio de ter a panorâmica perfeita para a aldeia e para toda a envolvente.

Numa curta caminhada por Penedono não deixe de conhecer o Pelourinho, bem em frente ao castelo, a Igreja Matriz e a Torre do Relógio.

Linhares da Beira

O castelo de Linhares chama para si a atenção mesmo antes de chegar à aldeia, e é com esse incrível horizonte que somos recebidos, repletos de curiosidade. Linhares da Beira está localizada em plena Serra da Estrela pela que as condições atmosféricas podem ser sempre uma surpresa.

Estacionamos o automóvel junto ao Inatel Linhares da Beira Hotel Rural, não porque ficássemos hospedados, mas encontramos ali bastante espaço para estacionar. Seguimos por entre as ruas de empedrado à descoberta dos locais mais marcantes desta aldeia, que é na totalidade construída em pedra. Na nossa caminhada passamos pela Igreja Matriz, pelo pelourinho, pela antiga Casa da Câmara, pela Casa do Judeu e por diversas fontes que enchem de vida esta aldeia.

Obviamente que o grande destaque de Linhares da Beira encontra-se no seu majestoso castelo localizado no cimo de um enorme penedo que foi construído durante o reinado de D. Dinis. No seu interior e no cimo das suas muralhas conseguimos ter uma vista extraordinária sobre a aldeia e sobre as lindas paisagens da Beira Interior.

Dica: Parapente

Linhares da Beira é conhecida como a capital do parapente por isso se quiser adicionar uma pitada de aventura à sua viagem já sabe qual é a atividade radical a escolher.

Folgosinho

A nossa última paragem foi a aldeia do Folgosinho, outra aldeia que não está incluída na Rede de Aldeias Históricas, mas por ficar tão perto de Linhares da Beira não podíamos deixar de visitar.

O nosso conselho é visitar aleatoriamente o seu centro e ir tropeçando nos locais mais marcantes numa aldeia acolhedora e cheia de carisma. Tente na sua caminhada incluir uma passagem pela sua Igreja Matriz, pelo seu pelourinho, Casa do Viriato e, claro, o Castelo do Folgosinho onde temos o privilégio de usufruir de uma excelente paisagem para a serra.

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2 comentários

jlacabral@gmail.com 06/01/2022 - 16:06

Obrigado pelas dicas de viagem e um Feliz Ano Novo para vocês!
Sugiro que quando puderem visitem também as Aldeias de Xisto (Talasnal, Cerdeira, Gondramaz, etc). E nao se esqueçam de almoçar um cabritinho assado no restaurante Ti Lena (Talasnal).

Responder
pontodepartida 12/01/2022 - 10:05

Olá! Muito obrigada, um excelente ano também para ti! Já visitamos essas aldeias e adoramos, a Serra da Lousã é lindíssima! E claro que como grandes apreciadores gastronómicos não podia faltar o restaurante Ti Lena, é maravilhoso 😋 Se quiseres ver o nosso roteiro por lá temos um artigo publicado https://opontodepartida.com/serra-da-lousa/

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