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Cracóvia, o que visitar? Roteiro de 3 dias

por Fábio Santos

Cracóvia é um dos tesouros do Leste Europeu e para muitos a cidade mais bonita da Polónia, mesmo não sendo ela a sua capital. Embora tenha perdido para Varsóvia o estatuto de capital, Cracóvia continua a ser considerada a capital cultural e a preferida dos turistas. Da sua importância cultural e histórica não restam dúvidas, o seu centro histórico é considerado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO e não é à toa. Castelos, praças lindíssimas, jardins, igrejas e torres com vistas fabulosas e, claro, o Rio Vístula que lhe oferece todo o romantismo que uma grande cidade merece.

Para os apreciadores de história, Cracóvia é um lugar incontestável onde se desenrolou alguns dos episódios mais marcantes da II Guerra Mundial, em particular os horrores do Holocausto vividos por todo o país. Um dos grandes atrativos é a sua proximidade com os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, mas acredite que pela cidade há muito mais para descobrir. Cracóvia está impossibilitada de se desligar da história, mas continua também muito bem alinhada com o presente com muito dinamismo e animação no seu centro histórico e nos bairros circundantes.

Pela sua dimensão e beleza, Cracóvia fez-nos lembrar Budapeste, uma cidade que se visita perfeitamente bem a pé, com animação noturna e também pela existência de um rio que a divide. É uma cidade vibrante, mas não tão agitada como Paris, Londres ou Roma, mas com o encanto e importância histórica ao nível das cidades mais movimentadas da Europa.

Como chegar a Cracóvia?

A forma mais cómoda e rápida para chegar a Cracóvia é através de voo direto, mas infelizmente são poucos os voos semanais que realizam o trajeto sem escala. Caso o dia que pretenda viajar coincida com o dia da realização de algum voo direto essa é a melhor opção. Caso pretenda chegar de avião pode sempre fazer escala em alguma cidade europeia e chegar ao Aeroporto de Cracóvia-João Paulo II.

A outra opção é seguir de voo direto até Varsóvia através da TAP ou Wizz Air que são as companhias que voam com maior regularidade para a capital polaca. Uma vez na cidade de Varsóvia tem duas opções a ter em consideração: ou apanhar um voo para Cracóvia ou seguir de comboio.

A companhia polaca LOT realiza os trajetos entre ambas as cidades com vários voos ao longo do dia por cerca de 60€ que duram cerca de 50 minutos. Caso pretenda fazer o percurso de comboio tem de se deslocar até à Estação Central de Varsóvia (Warszawa Centralna) e de seguida apanhar um comboio até a Estação Central de Cracóvia (Kraków Główny), o trajeto custa 30€ e a viagem dura cerca de 2.30h.

Nota: A nossa Experiência

Na nossa viagem decidimos viajar direto para Varsóvia e depois apanhar um voo interno da LOT para Cracóvia. Entre ambos os voos havia um intervalo de 2.30h, embora não fosse muito tempo acreditávamos ser seguro para a logística da escala. Possivelmente seria suficiente se o voo da Wizz Air que saiu do Aeroporto de Lisboa não tivesse atrasado 3h o que nos fez perder o voo de ligação. Acabamos por chegar a Cracóvia de comboio.

Ao perdermos esse voo perdemos também imenso tempo o que nos fez ter que fazer algumas escolhas durante a nossa viagem. Imprevistos que acontecem!

Como ir do Aeroporto de Cracóvia para o centro da cidade?

Quando sair do avião deverá seguir as indicações “Train to the city” e subir uma rampa que dá acesso a uma passadeira que atravessa a avenida entre o aeroporto e a estação de comboios. Na estação irá encontrar uma máquina de venda de bilhetes onde deverá selecionar “One-pass ticket”, o custo são 9 zloty (2€) que poderão ser pagos com cartão de débito/crédito. Depois basta seguir até à Estação de Kraków Główny que dura cerca de 20 minutos.

Quando visitar Cracóvia?

Os melhores meses do ano para visitar Cracóvia vai de abril a outubro, onde os dias são mais amenos e a probabilidade de precipitar é mais reduzida e as temperaturas rondam os 20 graus. Nos meses de Verão, julho e agosto, a cidade costuma encher-se de turistas e pode encontrar alguns locais bem lotados que podem dificultar a sua visita. Para ter uma experiência mais agradável acreditamos que os meses de abril, maio, setembro e outubro são os mais indicados.

Roteiro – 3 dias pela cidade de Cracóvia

A cidade de Cracóvia não é enorme, mas tem imensos locais de interesse concentrados no seu centro histórico que devem ser visitados e que nos tomam algum tempo para os conhecer devidamente. Além disso, quem visita Cracóvia por norma pretende visitar Auschwitz que em deslocações e visita toma grande parte do dia, tal acontece igualmente com as Minas de Sal de Wieliczka. Por isso, acreditamos que 3 dias é o tempo mínimo para conhecer a cidade sem sobressaltos e da melhor maneira possível.

Como contamos no ponto “Como chegar a Cracóvia?” a nossa viagem sofreu alguns contratempos e tivemos de fazer algumas cedências, neste caso foram as Minas de Sal de Wieliczka que optámos por não visitar. Esperamos que na sua viagem corra tudo pelo melhor!

1º Dia

1 – Parque Planty

O nosso primeiro dia foi destinado a conhecer o centro histórico da cidade e para o fazer é quase impossível não passar pelo Parque Planty. Este parque com quase 4 quilómetros de extensão, circunda o centro histórico de Cracóvia substituindo a antiga muralha, da qual apenas subsiste uma pequena parte. Este enorme parque é bastante bem cuidado, com excelentes zonas de sombra, bancos, várias fontes e ainda estátuas em homenagem às principais figuras da cidade.

2 – Teatro Juliusz Slowacki

Nas proximidades do Parque Planty encontra-se o bonito Teatro Juliusz Slowacki que dada a sua exuberante arquitetura costuma ser um dos spots mais instagramáveis da cidade. A elegância da arquitetura deve-se à inspiração das principais óperas europeias nomeadamente do Palais Garnier em Paris. O teatro recebeu o nome Juliusz Slowacki em 1909, era um importante poeta e dramaturgo polaco.

3 – Barbacã (Barbakan Krakowski)

Seguimos até ao topo norte da cidade até à impenetrável Barbacã que sobreviveu a várias batalhas ao longo dos séculos. Construída no ano de 1499 esta importante obra de engenharia militar medieval tinha como função proteger a Cidade Velha de ataques. Contudo durante a Segunda Guerra Mundial grande parte da Barbacã foi destruída tendo sido reconstruída anos mais tarde com os mesmos tijolos recuperados dos escombros. Atualmente abriga um museu onde são contadas as histórias de guerra vividas em Cracóvia.  

4 – Porta de St. Florian

Em frente ao Barbacã encontra-se uma das portas da antiga muralha, a Porta de St. Florian, onde para além da entrada existe também uma torre defensiva construída no século XIV com o intuito de proteger a cidade dos ataques turcos.

Na sua visita ao entrar por esta porta irá certamente reparar nas pinturas expostas na muralha, disponíveis para venda. De tão lindas que são dá imensa vontade de comprar uma 😊

5 – Rua Floriańska

Seguimos pela Rua Floriańska, uma das principais ruas de Cracóvia e sem dúvida uma das mais movimentadas e com grande destaque para o comércio local nomeadamente peças de artesanato. Esta rua fazia parte da Rota Real sendo utilizada pela nobreza para fazer a ligação ao castelo. Ainda nesta rua vale a pena tomar em atenção a um dos cafés mais mediáticos da cidade, o Jama Michalika com a sua decoração em art nouveau e ainda a Casa de Jan Matejko, um importante pintor polaco.

6- Basílica de Santa Maria (Kosciol Mariacki)

No final da Rua Floriańska encontra-se um dos principais atrativos de Cracóvia, a lindíssima Basílica de Santa Maria. Ao nos encaminharmos até nós ficamos rendidos com a imponência das suas duas torres assimétricas, mas de diferentes alturas, sendo que a mais alta serviu ao longo da história como ponto de observação de possíveis invasores.

Se o exterior impressiona o interior é capaz de deixar qualquer um sem palavras, dada a multiplicidade de cores e detalhes que encontramos tanto no teto como no altar. O teto abobado é azul salpicado de estrelas douradas e o altar é impressionante reconhecido como sendo o maior altar gótico esculpido da Europa onde sobressaem os magníficos vitrais magistralmente desenhados. Todo o interior da igreja é colorido, nas paredes de tijolo existem pormenores azuis e verdes que a tornam ainda mais cintilante.

Para completar com chave de ouro a visita à Basílica de Santa Maria é possível subir à sua torre mais alta, a Hejnalica e ter, para nós, a melhor vista da cidade de Cracóvia. Nessa subida pode conhecer ainda a sala do famoso trompetista onde a cada hora certa é tocado o hejnal, uma melodia em trompete tocada atualmente pelos membros ativos da brigada de incêndio que usam também a torre como posto de vigia.

Dicas:

  • Preço: Cerca de 4€, são apenas permitidos grupos de 10 pessoas a cada 30 minutos;
  • Horário: Em abril, a torre está aberta apenas nos fins de semana: sextas e sábados das 10h00 às 17h30 e aos domingos das 13h00 às 17h30
  • Dica: Reservar os ingressos logo à abertura porque é muito procurada e existe pouca disponibilidade.

7 – Praça Principal (Rynek Główny)

A Praça Principal, a Rynek Główny é o ponto central da cidade e é em seu redor que tudo gira e onde os habitantes e turistas mais se concentram. Considerada uma das maiores praças medievais da Europa é nesta praça que se concentram alguns dos principais atrativos de Cracóvia, desde logo a própria Basílica de Santa Maria, a Torre da Antiga Câmara Municipal e o Sukiennice. Para além disso nas extremidades da praça estão inúmeros cafés e restaurantes, além de muita animação por toda a praça que a tornam sem dúvida o ponto mais divertido e imperdível da cidade. 

8 – Torre da Antiga Câmara Municipal (Wieza Ratuszowa)

Num dos cantos da praça encontramos o que restou da antiga câmara municipal, a torre construída no século XIV com cerca de 75 metros de altura. Quando falamos em edifícios do século XIV com 75 metros de altura por norma significam escadas e muitos degraus para subir, neste caso foram 110 até ao topo da torre e quando lá chegamos para tristeza nossa apenas poderíamos apreciar da paisagem através de umas pequenas janelas. A vista é bonita e consegue-se ver grande parte da cidade, mas ainda assim preferimos a vista da Hejnalica, a torre mais alta da Basílica de Santa Maria. Por isso se tiver cansado ou não lhe apetecer subir tantos degraus aconselhamos a optar pelo Hejnalica.

Dica: Torre da Antiga Câmara Municipal

  • Subida – 4,52€

8 – Mercado de Tecidos (Sukiennice)

No centro do praça encontra-se o Sukiennice, o Mercado de Tecidos, que foi o primeiro mercado comercial da Polónia iniciado no século XIII. O mercado é um edifício charmoso com belas arcadas e no seu interior encontra-se um corredor com várias lojinhas que vendem souvenirs e outros produtos locais, nomeadamente peças de artesanato. Este mercado é um dos locais icónicos da cidade e encontra-se sempre com uma enorme procura nomeadamente turistas que recorrem ao Sukiennice para levar uma lembrança de Cracóvia.

Além do lado comercial do Sukiennice é possível visitar o Museu Nacional no piso superior do edifício, onde se encontra um importante conjunto de obras polacas do século XIX. A quatro metros de profundidade sob o Mercado encontra-se o Rynek Underground (Podziemia Rynku) que é um museu localizado numa escavação arqueológica que permite recordar os tempos medievais de Cracóvia.

9 – Igreja de Santo Adalberto (Kościól Św. Wojciecha)

Num dos cantos da praça, perto do início da rua Grodzka encontra-se a pequena Igreja de Santo Adalberto que segundo consta é uma das mais antigas de Cracóvia com mais de 1000 anos de existência. Embora pequena continuam a ser realizadas missas semanais e é uma das igrejas mais queridas dos moradores da cidade.

10 – Collegium Maius

Seguimos até ao Collegium Maius, Colégio Maior, que é um dos colégios mais antigos da Universidade de Cracóvia datado do ano 1400. Foram alunos deste colégio alguns dos maiores nomes da ciência europeia onde o nome mais mediático foi Nicolau Copérnico, polaco que desenvolveu a Teoria Heliocêntrica.

Atualmente a estrutura abriga o Museu da Universidade de Jagellonia onde está exposta uma vasta coleção de instrumentos nos cursos de astronomia, cartografia, física, química e meteorologia. Além da exposição é ainda muito agradável conhecer o pátio interior rodeado de arcos em tijolo e pedra.

11 – Rua Grodzka

A visita ao Collegium Maius significa um ligeiro desvio de poucos metros, por isso na ida até à Rua Grodzka voltamos a passar pela Praça Principal. A Rua Grodzka é a rua mais antiga de Cracóvia e faz parte da Rota Real ligando a Praça Central ao Castelo Wawel. Esta rua é a mais movimentada da cidade e é onde estão localizadas as lojas mais importantes bem como vários restaurantes, cafés e lojas de souvenirs. Além do seu lado comercial, é nas redondezas desta rua que se encontram algumas das atrações mais importantes como a Igreja de São Pedro e São Paulo e a Igreja de Santo André.

12 – Basílica de São Francisco de Assis

Numa das interseções da rua Grodzka encontramos a magnifica Basílica de São Pedro de Assis, uma igreja do século XIII conhecida pela beleza dos seus vitrais. Infelizmente na nossa visita o interior da igreja encontrava-se em obras de manutenção e não conseguimos admirar os vitrais que estão por detrás do altar. Pode ser que na sua visita as obras já tenham terminado, dizem que o interior é lindíssimo.

Ao lado da basílica localiza-se o Palácio Wielopolskich que é atualmente a sede da Câmara Municipal de Cracóvia.

13 – Basílica da Santíssima Trindade

Continuando no domínio religioso, a poucos metros da Basilica de São Francisco de Assis encontra-se a Basílica da Santíssima Trindade também conhecida como a Igreja dos Dominicanos, por ter sido construída por monges dominicanos no fim da invasão tártara.

Uma bela construção em tijolo de estilo neogótico vale a visita especialmente ao interior para apreciar sobretudo as capelas laterais. Esta igreja é um dos templos religiosos mais importantes de Cracóvia dada a afluência dos habitantes da cidade e caso seja apreciador deste tipo de visitas esta basílica é uma excelente opção.

14 – Rua Kanonicza

Viramos à direita e seguimos até à Rua Kanonicza, uma rua paralela à Rua Grodzka mas muito menos movimentada e possivelmente ainda mais pitoresca. Ao longo da rua encontram-se várias casas apalaçadas com pormenores exuberantes nas suas fachadas. Nessa rua existe uma praça, chamada Praça Maria Madalena que liga a rua Grodzka à Kononicza e em frente localiza-se a Igreja de São Pedro e São Paulo. Já quase no final da rua, no número 19 encontra-se a moradia onde residia Karol Wojtyla antes de se tornar o Papa João Paulo II, onde atualmente existe um museu onde estão expostas alguns dos seus objetos pessoais.

15 – Castelo de Wawel

A nossa última paragem do primeiro dia foi em uma das maiores atrações da cidade, o Castelo de Wawel localizado no Monte Wawel nas margens do rio Vístula. Este castelo serviu de residência real durante vários séculos em tempos em que Cracóvia era a capital do reino da Polónia. A visita ao castelo é na verdade uma visita a três atrações: o Castelo Real, a Catedral de Cracóvia e a Gruta do Dragão.

O Castelo Real pode ser acedido através do pátio que é visitável sem pagar qualquer bilhete e onde pode admirar a riqueza arquitetónica da fachada. Para visitar os vários salões exige-se adquirir diversos bilhetes, uma vez que cada atração tem um bilhete separado. Este castelo tem a curiosidade de possuir uma multiplicidade de estilos arquitetónicos uma vez que os diversos reis que ali habitaram ao longo dos séculos foram retocando aqui e ali com o seu cunho pessoal e claro com as marcas da época por isso não estranhe encontrar marcas barrocas ali e góticas acolá por ai adiante. No interior do castelo é possível conhecer as diversas salas onde são expostas tapeçarias, utensílios e joias utilizadas pelos antigos reis e rainhas polacos.

A Catedral de Wawel igualmente localizada no pátio do castelo era o local de coração dos reis polacos e também local da sua sepultura, quase a totalidade dos reis se encontram sepultados no interior da catedral. No alto da catedral, na Torre do Sino Zygmunt é possivel ter uma vista linda sobre Cracóvia. De frente para a catedral encontra-se uma estátua do Papa João Paulo II sendo em Cracóvia a cidade onde habitou vários anos da sua vida.

Fora do castelo, nas margens do rio Vístula, existe uma atração que costuma fazer as delícias dos mais pequenos, o Dragão da Wawel, uma estátua de dragão que cospe fogo. Ao lado existe a Gruta do Dragão (Gruta Smok), que segundo sabemos encontra-se fechada atualmente. Segundo dizem a gruta não tem nada de espetacular, o único benefício é que faz ligação com o interior do castelo e acaba por encurtar as distâncias.

Informações úteis

Horário: Geralmente das 9:30 às 16:00 ou 17:00 horas (cada parte do castelo tem horários diferentes).

Preço: Castelo de Wawel

  • A entrada no Museu do Castelo de Wawel encontra-se dividida em várias (Salas de Estado, Apartamento Reais, entre outras) para conhecer os preços das atrações visite o site oficial
  • Às segundas-feiras de abril até outubro, das 9:30 às 13:00 horas a entrada é gratuita. A entrada no jardim é gratuita todo o ano
  • Dica Extra: Caso a fila esteja muito grande suba pela rampa que dá entrada aos terrenos do castelo (entrada Herbowa Gate) passe pela catedral entre nos terrenos do castelo e siga para o centro de visitantes onde há outra bilheteira menos concorrida.

2º Dia

1º – Auschwitz

A nossa manhã do segundo dia foi inteiramente reservada para a visita aos campos de concentração Auschwitz-Birkenau. Caso pretenda conhecer Auschwitz reserve sempre pelo menos uma manhã para o fazer. Visitar Cracóvia e conhecer Auschwitz é uma das atividades mais comuns dado ser a cidade maior mais próxima dos campos, cerca de 60 km e pouco mais de 1h de duração.

Nós realizamos a visita através de um Tour Organizado que adquirimos na GetYourRide que incluía o transporte, de autocarro (ida e volta) e a visita guiada aos dois campos de concentração, Auschwitz I e Auschwitz II – Birkenau. Na nossa opinião a visita é bem mais enriquecedora se for feita com guia para recebermos informações e pormenores acerca de um dos episódios mais negros da história da humanidade. Embora o preço ligeiramente superior, pela comodidade decidimos fazer a visita através de um tour e não nos arrependemos.

A visita é dura e certamente não ficará indiferente aos factos e às atrocidades cometidas que vai ter conhecimento. Estão incluídas passagens pelas câmaras de gás, crematórios, além de salas de exposição das fardas listadas brancas e azuis, os sapatos, malas e até cabelo que era cortado às prisioneiras. Uma visita complexa, mas necessária principalmente nos dias de hoje em que os tempos horríveis do passado parecem retomar. É por isso que numa das exposições encontramos a seguinte frase ““AQUELES QUE NÃO LEMBRAREM O PASSADO, ESTÃO CONDENADOS A REPETI-LO””.

Como faço se quiser conhecer Auschwitz por conta própria?

A melhor forma de chegar até Auschwitz é de comboio, apanhando um comboio na estação central da cidade e desembarcar Oświęcim, numa viagem de dura cerca de 2h. Da estação de Oświęcim até aos campos de concentração são cerca de 2km e pode fazer o caminho a pé, de táxi ou autocarro.

Caso pretenda visitar sem guia é possível fazê-lo entre as 7.30h e as 10h, onde os campos se encontram com poucas pessoas e pode conhecê-los calmamente. A partir das 10h terá de efetuar obrigatoriamente a visita com recurso a um guia. Dado o elevado número de visitantes, a visita com guia deverá ser previamente marcada online e os preços rondam os 16€ por pessoa.

Os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau distam 3,5km um do outro e para realizar o percurso existem autocarros frequentes entre Abril e Outubro que o fazem de forma gratuita. Fora esses meses aconselho a fazer o trajeto de táxi e poupar energias para as visitas que ainda são longas e cansativas.

2 – Bairro Kazimierz

No regresso ao centro da cidade continuamos a conhecer a história dos judeus polacos pelo Bairro Kazimierz, um bairro judaico, atualmente a área jovem e alternativa de Cracóvia. Este bairro durante a ocupação nazi foi brutalmente devastado e daqui saíram mais de 40 mil judeus diretamente para os campos de concentração.

Após o Holocausto os judeus voltaram a habitar Kazimierz, existindo ainda muitos espaços e tradições ligadas à comunidade judaica por todo o bairro. Este bairro alternativo é ainda muito procurado por artistas e comunidades culturais que embelezam e dão vida ao animado bairro. Atualmente alguns dos melhores restaurantes de Cracóvia estão aqui localizados bem como os melhores bares e discotecas.

A melhor forma de visitar Kazimierz é vaguear pelas suas ruas encanto conhece alguns dos pontos mais marcantes da zona, mas na verdade o bairro vale pela sua áurea e pela sua animação. Ainda assim não deixem de passar na Antiga Sinagoga, uma das sinagogas mais importantes de Cracóvia antes da Invasão que é atualmente um museu sobre a história dos judeus polacos. No bairro existem várias sinagogas que podem visitar, Sinagoga de Kupa, Sinagoga de Issaac e a Sinagoga de Remuh conhecida por ficar nas imediações do Cemitério de Remuh. Passem ainda pela Praça Nova, a maior praça do bairro, o Museu Judeu Galícia e a enorme Basílica de Corpus Christi.

3º Dia

1 – Minas de Sal de Wieliczka

O início do terceiro dia que trazemos aqui não é na verdade o terceiro dia do roteiro que fizemos por culpa dos contratempos que tivemos nas viagens. Nos nossos planos a manhã do terceiro dia seria dedicada às Minas de Sal de Wieliczka mas como não tivemos tempo de ver todos os pontos do dia, optámos por não visitar estas minas. É esta a grande tristeza da nossa viagem.

Caso tenham possibilidade não as deixem de visitar, estas minas de sal são umas das minas mais antigas do mundo, começaram a ser exploradas no século XIII. No interior das câmaras existem capelas com figuras esculpidas em rocha de sal que são bem bonitas.

Dicas: Como ir até às Minas de Sal de Wieliczka?

  • Comboio (Kraków Główny -> Wieliczka Rynek – Kopalnia) – 20 minutos, partem de meia em meia hora
  • Autocarro, apanhar o autocarro 304 parte de uma rua mesmo em frente à estação de comboios Kraków Główny, ao pé do centro comercial Galeria Krakowska. A saída é na paragem Wieliczka Kopalnia Soli. A viagem dura cerca de 30 minutos e há autocarros de meia em meia hora.

Preço: 23€/pessoa

Site: Comprar Online

2 – Ponte do Padre Bernatek

Depois de voltar ao centro da cidade, a segunda parte do terceiro dia seria dedicada ao bairro Podgórze, localizado na outra margem do Rio Vistula. Podgórze é um bairro judeu onde encontramos diversos memorais dedicados ao Holocausto e à comunidade judaica. Para chegarmos a este bairro vindos de Kazimierz viemos pela Ponte do Padre Bernatek que nos surpreendeu com as estátuas de acrobatas que se encontram suspensas na estrutura da ponte. É de facto uma ponte bem original.

3 – Igreja de São José

Seguimos depois até à Igreja de São José uma igreja católica que nos impressionou com a beleza da sua fachada e da estrutura em geral. À originalidade desta igreja e de outras de Cracóvia chama-se estilo gótico do Vístula e foi construída entre 1905 e 1909 na encosta do monte Krzemionki. Nós achamos esta igreja bem fotogénica.

4 – Praça dos Heróis do Gueto

A nossa próxima paragem é a Praça dos Heróis do Guetto que é na verdade uma linda homenagem aos judeus vítimas dos nazis durante o Holocausto. Para os homenagear colocaram na praça 70 cadeiras vazias que representa os pertences deixados para trás pelos judeus. Era nas imediações desta praça, o chamado Guetto de Cracóvia, onde os judeus eram obrigados a reunir-se e a viver antes de serem enviados para os campos de concentração.

Nesta praça localiza-se ainda Farmácia da Águia, onde ocorreu uma história de coragem e solidariedade em pleno Holocausto. O dono desta farmácia, polaco, foi aconselhado a deixar aquela zona da cidade, assim como os outros polacos que viviam na zona do gueto, mas o farmacêutico por ali permaneceu e muitos judeus ajudou a escapar das mãos dos nazis. Entre eles, o famoso cineasta Roman Polanski realizador de o “O Pianista”. Nas instalações da farmácia encontra-se uma exposição permanente sobre os horrores vividos pelos judeus e sobre o papel da farmácia no gueto.

5 – Fábrica de Schindler

Como amantes que somos do filme “Lista de Shindler” não podíamos sair de Cracóvia sem visitar a antiga Fábrica de Oskar Schindler. É exatamente nesta fábrica que foram empregados e protegidos milhares de judeus durante a ocupação nazi. Na fábrica eram produzidos utensílios em esmalte, como panelas ou talheres, utilizados pelo exército alemão.

Atualmente na antiga fábrica encontra-se uma exposição permanente chamada “Cracóvia sob a Ocupação Nazi entre 1939 e 1945” onde através de reconstruções, sons e imagens é nos dada a conhecer a realidade de Cracóvia desde 1939 até ao domínio comunista que ocorrera no fim da 2ª Guerra Mundial. Uma visita imperdível dada a sua importância na história e sobretudo o que este espaço nos conta sobre o período negro do domínio nazi.

Dica: Fábrica de Schindler

  • Bilhete online no site oficial para evitar filas
  • Preço: Adultos: zł28 (€6) | Estudantes: zł24 (€5,10).
  • Gratuito às segundas, exceto na primeira segunda de cada mês

Onde dormir em Cracóvia?

Na cidade de Cracóvia existem várias opções de alojamento com elevada qualidade a preços bem atrativos. Os preços do alojamento na Polónia são bastante convidativos para nós portugueses existindo hotéis com boa qualidade a preços inferiores aos praticados em Portugal. Já não existem muitas cidades europeias a praticarem preços inferiores aos portugueses por isso desfrutem.

A nossa opção foi o Aparthotel Miodowa que fica localizado nas imediações do bairro Kazimierz onde atualmente se encontram alguns dos melhores restaurantes de Cracóvia e também a melhor vibe noturna. O quarto era confortável e higiénico e além do mais como é um aparthotel o quarto encontra-se equipado com uma kitchnete que permite confecionar as suas refeições durante a estadia caso pretenda economizar na alimentação.

Onde comer em Cracóvia?

Pode parecer cliché, mas na verdade na nossa ida para Cracóvia tínhamos sérias dúvidas se íamos gostar da gastronomia polaca, mas para nosso bem estávamos completamente enganados! Embora seja claramente diferente da gastronomia nacional, a gastronomia polaca tem alguns pratos bem saborosos e que nos deixou de queixo caído. Os pratos mais típicos são o pierogi (uma trouxa de massa recheada normalmente com batata, queijo ou carne moída), kotlet schabowy (panados), obwarzanek (pão com sementes de papoula) que se vê em toda a parte, zapiekanka (fatia de pão fina de uma baguete com vários ingredientes por cima) entre muitos outros.

Para provar algumas das melhores iguarias polacas aconselhamos o Starka | Restaurant & Vodkas onde provamos os pierogis, uma sopa tradicional e terminamos com as famosas vodkas polacas, o restaurante ideal para contactar com o melhor da gastronomia polaca. O Smakolyki Restaurant também tem uns excelentes pierogis e provamos ainda os kotlet schabowy. Caso pretenda belas carnes grelhadas aconselhamos o Sioux, localizado na Praça Principal (Rynek Główny).

Tivémos ainda oportunidade de experimentar street food da cidade no extraordinário Andrus Food Truck, localizado no centro do bairro de Kazimierz e que tem umas sandes deliciosas e bastante procuradas.

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