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Fundão, o que visitar? Roteiro de 2 dias

por Fábio Santos

Fundão e a sua região é conhecida principalmente pela qualidade das suas cerejas e são elas, dentro das suas caixas, que divulgam orgulhosamente esta bela pérola da beira que é a cidade do Fundão. Ao redor da cereja surgem vários motivos que nos trazem até aqui, tanto seja para as provar na época da colheita, como para nos pasmarmos com a paisagem incrível no momento em que as cerejeiras se enchem de flores. Se já de si as cerejeiras são motivo suficiente para nos trazer até ao Fundão, o que dizer das paisagens fantásticas da Serra da Gardunha, da Aldeia Histórica de Castelo Novo e das praias fluviais que existem espalhadas pelo concelho, que são um verdadeiro refúgio dos dias de calor no centro de Portugal.

A cidade do Fundão pertence ao distrito de Castelo de Branco, na região da Beira Baixa, mais concretamente na sub-região da Cova da Beira. Esta cidade é um excelente ponto de partida para visitar as Aldeias Históricas de Portugal, como a própria Serra da Estrela que se ergue a escassos quilómetros da cidade.

Ao longo do artigo iremos dar a conhecer os principais locais a visitar no Fundão, bem como dicas de hotéis e restaurantes que deve conhecer durante a sua visita.

Quando visitar o Fundão?

Todas as alturas do ano são uma boa opção para visitar o Fundão e a sua região e todas elas tem atrativos naturais que irão interessar-lhe. Nos meses de inverno existe a possibilidade da Serra da Gardunha encher-se de branco com a neve, no início da Primavera as cerejeiras enchem-se de flores e no final da primavera e início de verão as cerejeiras dão frutos e as praias fluviais da região tornam-se apetecíveis, enquanto que no outono a serra enche-se de tons acastanhados que a tornam mística.

Contudo, na nossa opinião, a melhor época para visitar é a Primavera, principalmente entre finais de março e os inícios de abril quando as cerejeiras ficam floridas e a paisagem fica deslumbrante.

Como chegar ao Fundão?

O Fundão conta com excelentes acessibilidades e atualmente é muito fácil chegar até ele, sobretudo depois da construção da A23.

A melhor forma de visitar o Fundão e a sua região é com recurso a viatura própria, uma vez que a maioria dos transportes públicos só chegam até à cidade, a maioria das outras localidades dispõe de poucas, ou nenhuma, forma de transporte público. Contudo, se a sua intenção for apenas visitar a cidade, e não tenha forma do fazer de automóvel, pode fazê-lo de comboio através da Linha da Beira da Baixa. Para mais informações consulte o site da CP.

De automóvel o Fundão é facilmente acessível, de tal modo que Lisboa fica localizada a 262 km e podem ser feitos em cerca de 2h40min através da A1 com ligação A23. Caso venha da região do Porto, localizado a 260km, podem ser igualmente feitos em 2h40min através da A1 seguindo-se da A25 e, por fim, apanhar a A23.

1º Dia

1 – Centro Histórico do Fundão

A melhor forma de iniciar uma visita ao Fundão é conhecer o seu centro histórico para ir ao encontro dos seus principais locais e sentir a vida desta cidade beirã.

Iniciámos pela Rua da Cale, principal artéria da cidade, onde ainda se observam claras marcas da antiga comunidade judaica que ali se estabeleceu e, nos dias de hoje, ainda por ali se encontram lojas tradicionais que trazem movimento e alegria à rua. A poucos metros dessa rua, na Rua do Serrão, localiza-se o Núcleo Arqueológico do Fundão, um dos principais museus da cidade e onde a sua história é retratada.

Seguimos até à Igreja Matriz do Fundão, também conhecida como Igreja de São Martinho, igreja que tem a particularidade de ser o local onde Amália Rodrigues foi batizada. Aconselhamos a seguir até à Praça do Município, onde se localiza a sede da Câmara Municipal, o Pelourinho e um agradável jardim.

Como era sábado demos um salto até ao Mercado Municipal, onde encontrámos muito procura de locais pelos melhores produtos da beira. O mercado é um espaço renovado, localizado no Jardim Municipal do Fundão, onde se encontra também a Biblioteca Eugénio de Almeida, nome dado em homenagem a esse marcante escritor originário do Fundão.

Finalizamos a nossa caminhada pelo centro histórico da cidade pelo agradável Parque Verde do Fundão, um jardim amplo ideal para uma caminhada ou prática desportiva, mas que também é um excelente local para descansar ou para colocar a conversa em dia.

2 – Miradouro Pedra D’Hera

Nas nossas viagens há poucas coisas que gostamos mais do que de miradouros e o nosso próximo desafio era encontrar a melhor vista para o Fundão e foi isso que fizemos através de uma pequena caminhada até ao Miradouro da Pedra d’Hera.

A cerca de 800 metros de altitude, em plena Serra da Gardunha, encontramos este miradouro com uma paisagem esplêndida, tanto para o Fundão, como para a Cova da Beira e Serra da Estrela. O nome do miradouro deve-se à planta hera, planta que reveste a rocha onde está instalado o miradouro.

Para aceder a este miradouro deverá seguir pelo PR3 FND – Rota da Pedra d’Hera um trilho circular com 5,4km de extensão que se inicia e termina junto ao Convento da Nossa Senhora do Seixo. O trilho demora cerca de 2h e conte com algumas subidas bastante ingrimes.

3 – Alcongosta

A nossa próxima paragem é a Aldeia de Alcongosta, uma freguesia do município do Fundão que é apelidada como a “Terra da Cereja”. Se o seu objetivo é encontrar as cerejas ou cerejeiras chegou ao sítio certo. Em redor da aldeia de Alcongosta são hectares e hectares de belos pomares de cerejeiras, que são o verdadeiro ouro da região, sendo consideradas por muitos as melhores cerejas do mundo!

Um dos grandes atrativos da região do Fundão localiza-se exatamente aqui, que é na verdade encontrar as lindas cerejeiras em flor, momento em que o verde da Serra da Gardunha é substituído por um manto branco das flores que enchem os pomares. A melhor altura para visitar as cerejeiras em flor é habitualmente entre os finais de março e os inícios de abril. Como a nossa visita ocorreu já na segunda semana de abril, após uma semana com alguma chuva, encontrámos as cerejeiras já praticamente sem flor.

Se por outro lado prefere visitar Alcongosta no momento da colheita da cereja, ela ocorre entre maio (se preferir jogar pelo seguro, mais no fim do mês) até julho. No segundo fim-de-semana de junho é celebrada em Alcongosta a Festa da Cereja, uma das festas mais bonitas da região.

4 – Miradouro da Torre de Vigia de Alcongosta

Apaixonados por vistas maravilhosas, seguimos até ao topo de Alcongosta e da Serra da Gardunha, no Miradouro da Torre de Vigia de Alcongosta, onde se encontra uma das vistas mais fascinantes da região, uma perspetiva perfeita para a Cova da Beira.

Os acessos a este miradouro não são os melhores, sendo o caminho iniciado nas proximidades do mediático alojamento Natura Glamping e depois seguir por uma estrada de terra batida, algo esburacada e com algum desnível. Podíamos perfeitamente tê-lo feito a pé, mas dado o tempo que já era curto e a preguiça que se abateu sobre nós, decidimos fazê-lo de carro ligeiro e com alguns sobressaltos pelo caminho chegamos ao miradouro em perfeita segurança. Embora seja uma estrada mais indicada para jipes, com precaução consegue realizá-lo com uma viatura ligeira.

5 – Alpedrinha

Terminámos o nosso primeiro dia pela região do Fundão na aldeia de Alpedrinha, uma aldeia classificada como Aldeia de Montanha localizada na encosta sul da Serra da Gardunha, o que a torna um refúgio perfeito dos fortes ventos que sopram de norte.

Longe dos tempos áureos, que lhe concederam a alcunha de “Sintra da Beira”, dada as visitas de nobres e gentes abastadas que por ali construíram vistosos solares e casarios abrasonados, hoje conta com cerca de 1000 habitantes, um vasto património histórico e uma beleza e tranquilidade que nos apaixonou.

A melhor forma de explorar Alpedrinha é caminhando pelas suas estreitas ruas de empedrado e apreciando a beleza da sua arquitetura, enquanto tropeça em capelas e casas abastadas. Os locais mais famosos são o Palácio do Picadeiro, um vistoso palácio do século XVIII que teve várias utilidades ao longo da história tendo sido sede de um tribunal, sede de um hospital e até tipografia do jornal da Beira. Atualmente foi recuperado e alberga um núcleo museológico de divulgação cultural, mas que na nossa passagem não foi possível visitar por estar encerrado.

Destaque ainda para a Igreja Matriz, uma igreja datada do século XII, a Igreja da Misericórdia e várias capelas que se encontram ao longo da aldeia. Na aldeia existem ainda várias fontes, sendo o mais majestoso o Chafariz D. João V, mesmo ao lado do Palácio Picadeiro.

Foi neste ambiente histórico e rural que terminámos da melhor maneira o primeiro dia por terras do município do Fundão.

2º Dia

1º – Castelo Novo

Iniciámos o nosso segundo dia pela Aldeia Histórica de Castelo Novo, uma aldeia formada pela vontade do granito em proteger o homem das intempéries que se levantam contra o alto da Serra da Gardunha.

Ao entrar no seio da aldeia somos envolvidos pela áurea mística e medieval de Castelo de Novo e, conforme vamos caminhando pelas suas ruelas de empedrado, ao som da água que escorre das fontes, vamos nos apaixonando por esta aldeia.

Aconselhamos a estacionar o carro no Largo da Bica, local onde está instalado o Posto de Turismo de Castelo de Novo e a partir daí começar a explorar o interior da aldeia. Na sua caminhada não deixe de visitar a Igreja da Misericórdia, seguindo até à Praça dos Paços do Concelho, onde se localizam os Paços do Concelho, o Chafariz de D. João V e o Pelourinho. O ponto máximo da sua visita a Castelo Novo é o seu castelo, de onde, no alto da sua torre, consegue admirar a vista extraordinária para as planícies beirãs.  

Caso o dia esteja convidativo a banhos não deixe de experimentar as águas límpidas da Praia Fluvial de Castelo Novo, que se localiza na entrada da aldeia onde, para além da bela piscina fluvial tem ainda um bonito espaço verde, ideal para repousar ou fazer um piquenique.

2º – Baloiço do Castelo Velho

Embora não pertença ao município do Fundão, pela proximidade, aconselhamos a visitar tanto o miradouro como o baloiço do Castelo Velho, ambos localizados no topo da Serra da Gardunha a mais de 1000 metros de altitude.

Enquanto baloiça poderá desfrutar de uma paisagem maravilha com vista para Louriçal do Campo, para a barragem de Santa Águeda e para uma sucessão de serras e planícies que se perdem no horizonte.

Dica: Como ir ao Baloiço do Castelo Velho?

Chegar ao Baloiço do Castelo Velho pregou-nos algumas partidas e por culpa do GPS, que ao pretendermos ir até ao baloiço a partir de Castelo Novo, enviou-nos para uma estrada intransitável para uma viatura ligeira.

Por isso, a forma de chegar até ele é dirigir-se até ao Colégio de São Fiel, na localidade de Louriçal do Campo, e daí iniciar uma subida de 7km por uma estrada de terra batida, com piso algo irregular e onde partes da estrada são estreitas. Embora não seja uma estrada fácil, com uma condução cuidada é possível chegar ao destino em segurança com um veículo ligeiro.

3 – Aldeia de Xisto da Barroca

Ainda por terras do município do Fundão, mas já afastado da cidade, chegamos até às margens do Zêzere para visitar a Aldeia de Xisto da Barroca. Localizada nas proximidades das Minas da Panasqueira, zona de exploração de volfrâmio, que foi durante muitos anos a principal empregadora das gentes destas terras.

Graças a esta exploração, os peixes nunca vieram até Barroca, mas as águas do Zêzere, mesmo com poucos resquícios de vida, continuam a cintilar e bem espraiando-se num belo açude nas proximidades da Praia Fluvial de Barroca. Na praia encontra-se um guarda-rios gigante, uma obra de Pedro Leitão com lixo recolhido nas margens do Zêzere.

À beira do Zêzere encontram-se antigos moinhos e uma ponte pedonal que atravessa o rio e nos leva até um dos maiores patrimónios da aldeia, as gravuras rupestres.

4 – Miradouro da Sarnadela

Seguindo pela Nacional 238, e já bem próximo da aldeia de Janeiro de Cima, localiza-se na berma da estrada, o Miradouro da Sarnadela, com vista para a curva realizada pelo Zêzere e para toda a envolvência, destacando-se sobretudo o pinheiro. Infelizmente, o miradouro não é muito alto e não se consegue perceber na plenitude a beleza do lugar, mas vale a paragem para espreitar.

5 – Aldeia de Xisto de Janeiro de Cima

Terminámos o nosso roteiro pelo município do Fundão novamente encostados ao Zêzere, na Aldeia de Xisto de Janeiro de Cima. A visita à aldeia faz-se caminhando por entre as suas ruas sinuosas, enquanto se enamora os charmosos casarios em xisto, muitos deles renovados. Na sua passagem visite o Largo da Igreja e o Centro Interpretativo das Tecedeiras, onde se contam as tradições da arte de manobrar o tear.

Junto ao rio encontra-se o bem arranjado Parque Fluvial da Lavandeira, com a sua praia que se enche nos meses de verão de locais e turistas. Uma das imagens de marca desta zona fluvial são as suas barcas, que eram antigamente utilizadas para as trocas comerciais entre as margens dos rios. Hoje em dia, durante a época balnear, é possível realizar um passeio com elas e descobrir assim os encantos do Zêzere.

Fundão | Onde dormir?

Na nossa passagem pelo Fundão ficamos hospedados no Cerca Design Hotel e não podíamos ter escolhido melhor! Um alojamento que é a fusão perfeita entre a elegância histórica de um solar do século XVII e a modernidade e conforto de uma casa contemporânea. Dessa simbiose nasceu um alojamento descontraído e relaxante, com quartos espaços decorados com muito bom gosto, onde ao entrar somos brindados com um licor de cereja e uma fatia de bolo. Para relaxar das exaustas caminhadas pela Serra da Gardunha pode desfrutar do SPA, ou simplesmente refrescar-se na piscina exterior. Um alojamento de charme ideal para aproveitar a tranquilidade da Beira!

Caso pretenda outra opção aconselhamos ainda o Convento do Seixo Boutique Hotel & Spa, outro hotel requintado e luxuoso, que decerto não desfraldará as suas expetativas.

Fundão | Onde comer?

A gastronomia beirã não desilude e no Fundão certamente que existem várias opções de restaurantes onde irá deliciar-se com a qualidade dos seus pratos. A nossa visita ao Fundão foi curta, por isso ficamos a conhecer apenas o Restaurante As Tílias e tivemos uma excelente experiência. Começando com a simpatia do anfitrião, o Sr. Paulo, que nos fez sentir realmente em casa, e seguindo para a qualidade da comida tradicional e caseira, associada a pequenos apontamentos da cozinha contemporânea. No que toca aos pratos optámos pela perna de pato confitada com molho de frutos silvestres e pelo porco preto em azeite e alho e, para sobremesa, um bolo de caramelo quente com gelado de baunilha. Estava tudo delicioso!

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