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Gerês, o que visitar? Roteiro de 5 dias

por Fábio Santos

O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) é, porventura, a zona de Portugal Continental onde a natureza e as tradições permanecem no seu estado mais puro. A natureza, quase virgem da região, origina toda uma atmosfera mágica que nos incentiva a percorrer todos os seus recantos.

Para os amantes da natureza, o Gerês é um verdadeiro santuário onde podemos encontrar tudo aquilo que nos fascina. No alto das montanhas podemos apreciar toda a envolvência e imponência da serra, entre os vales repletos de biodiversidade percorrer os trilhos mais fascinantes que tivemos oportunidade de conhecer e, nos sítios mais inusitados, encontrar as mais idílicas cascatas e lagoas naturais que enchem os nossos olhos de espanto e admiração. É neste oásis de natureza que encontramos a serenidade, é ele que nos rejuvenesce e nos faz querer sempre voltar uma vez mais para descobrir o que ficou por explorar.

Este roteiro é a nossa segunda passagem pelo Gerês, sendo a primeira uma viagem de família em que aproveitamos mais para descansar do que para correr o Gerês de lés a lés. Nesta nossa segunda abordagem pretendíamos conhecer todas as regiões do Gerês, num total de 5 dias.

Gerês | Quando visitar?

Todas as estações são um bom motivo para visitar o Gerês e todas elas apresentam pontos fortes e fracos. O PNPG é conhecido pela elevada possibilidade de precipitação, pelo que a estação de Inverno é desaconselhada. Para quem pretende aproveitar as cascatas e as praias fluviais e ter uma maior possibilidade de certeza que o tempo não vai ser inimigo, a melhor época para o fazer é no verão. Contudo prepara-se para largas multidões, em especial nas cascatas mais conhecidas e para preços mais elevados nas estadias.

As estações da Primavera e Outono são as melhores épocas para a realização dos trilhos e apreciar calmamente toda a região, longe das multidões. No Outono, o Gerês foge da monotonia do verde ganhando tonalidades amarelas e alaranjadas que origina paisagens deslumbrantes. Na Primavera o Gerês está florido e o verde começa a despontar bem como toda a fauna e flora. O único senão é a possibilidade de precipitação nestas estações pelo que, caso arrisque conhecer o Gerês nesta época, não dispense o chapéu-de-chuva e o impermeável.

Gerês | Região

O Parque Nacional da Peneda Gerês está localizado na região norte de Portugal, entre a região do Minho e Trás-os-Montes. O parque está inserido em cinco concelhos: Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca e Terras de Bouro. A região é enorme e os locais para visitar são tantos que é impossível em apenas uma passagem conhecê-los a todos e, arriscar-me-ia a dizer, que nem mesmo em duas ou três passagens. O Gerês é uma caixinha de surpresas que por mais que o visitemos não para de surpreender.

O Gerês tem motivos de interesse para todos os gostos e nesse sentido foram criadas 5 portas, tantas como os concelhos que inserem o PNPG e todas elas dedicadas a temáticas diferentes.

Porta de Mezio (Arcos de Valdevez) – Conservação da natureza e da biodiversidade

Porta de Lamas de Mouro (Melgaço) – História e ocupação do território

Porta de Montalegre (Montalegre) – Paisagem

Porta do Lindoso (Ponte da Barca) – Geologia e Água

Porta de Campo do Gerês (Terras de Bouro) – História e Civilizações

Gerês | Roteiro de 5 dias

1º Dia

Pitões das Júnias | Barragem de Paradela | Cascata de Cela Cavalos | Ponte da Misarela | Cascata de Pincães

Iniciámos a nossa rota pelo Gerês pelo concelho de Montalegre, a entrada mais a este do PNPG. Decidimos pernoitar na aldeia de Pitões das Júnias e partir desse ponto explorar toda a região.

Pitões das Júnias

É a 1100m de altitude que podemos encontrar Pitões das Júnias, uma das mais genuínas aldeias de Portugal. O clima inóspito e a imigração tornaram possível que a sua pequena população conservasse o aspeto bucólico e medieval. É nesse clima sereno que ao caminhar pelas ruas da aldeia nos vamos apaixonando pela paisagem e pelas suas típicas casas de granito, imagem de marca na aldeia.

Ao visitar Pitões das Júnias além de conhecer o interior da aldeia é obrigatório visitar as ruínas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias e a Cascata de Pitões das Júnias. Ambos os sítios estão localizados a cerca de 2km da aldeia, mas é possível estacionar o carro já nas imediações do início dos pequenos trilhos que são necessários fazer a pé até aos locais.

Atenção: Os passadiços que dão acesso à Cascata de Pitões das Júnias encontram-se em péssimo estado de conservação pelo qual alertamos para o máximo de cuidado ao percorrê-los.

Barragem de Paradela

No caminho até à nossa próxima paragem demos de caras com uma impressionante barragem que dava ânimo à paisagem. A Barragem de Paradela, foi a primeira de muitas barragens que tropeçamos durante a nossa estadia pelo Gerês. Nas imediações da localidade de Outeiro esta barragem é muito procurada para a prática de pesca desportiva e para passeios de barco.

Cascata de Cela Cavalos

Continuando pela estrada M308 encontramos duas pequenas aldeias, Cela e Lapela e entre ambas encontra-se um verdadeiro tesouro. Não é das cascatas mais conhecidas do PNPG pelo que é um verdadeiro refúgio de serenidade e comunhão com a natureza.

Como ir?

A partir da estrada M308 seguir por um caminho de terra batida até à Capela de Santa Luzia, onde é possível deixar o carro. A partir daí é seguir um caminho de terra, aproximadamente entre 20 a 30 minutos até à cascata.

Ponte da Misarela

Seguimos caminho por terras do Barroso entre paisagens verdejantes e deslumbrantes até um dos locais que mais nos fascinou, a Ponte da Misarela.

Localizada no fundo de um desfiladeiro vertiginoso e rodeada de densa vegetação, é neste cenário mágico que conseguimos encontrar esta conhecida ponte medieval. De aspeto frágil, mas tenebroso, esta ponte que atravessa o rio Rabagão é conhecida também como Ponte do Diabo, existindo mesmo uma lenda que sustenta a sua alcunha (conheça a lenda aqui).

De uma envolvência natural capaz de deixar qualquer um sem palavras, não tenha receio em atravessar o tabuleiro, porque embora a ponte pareça frágil e abandonada já suportou dezenas de enxurradas, guerras e o peso de muitas pessoas e animais, por isso deixe-se encantar com a cascata que agressivamente expele água em direção do rio. A imagem da cascata ao lado da ponte é fenomenal!

Cascata de Pincães

A Cascata de Pincães é uma das mais bonitas do Gerês e possivelmente a que forma a piscina natural mais apetecível a banhos. Localizada nas proximidades da aldeia de Pincães, para a visitar é necessário percorrer um trilho com cerca de 2km até à cascata.

Como chegar?

Deverá dirigir-se até ao centro da aldeia de Pincães onde pode estacionar o carro. Deve encontrar a Rua da Cascata e seguir até ao fim da rua onde irá encontrar uma levada que segue ao lado de um trilho de terra. Siga o caminho que parte para o lado esquerdo e siga em frente. Depois de 15/20 minutos a caminhar o trilho fica novamente confuso com uma divisão no caminho, mas permaneça à esquerda junto à levada. Os últimos metros são sempre a subir, mas valerão a pena!

2º Dia

Fafião | Cascata do Tahiti | Miradouro da Ermida | Vila do Gerês | Vilar da Veiga | Praia Fluvial do Alqueirão

Fafião

Fafião é um pequeno povoado em plena Serra do Gerês com muito por conhecer. Fizemos uma pequena passagem pela aldeia, mas fica prometido um retorno para explorar o encanto de toda a zona envolvente de modo mais profundo. Os seus rios e lagoas de águas límpidas são um verdadeiro tesouro para os fãs de natureza e de atividades ao ar livre.

O que visitar em Fafião?

  • Miradouro do Rio Cávado

Ao chegar a Fafião, se vier pela Barragem de Salamonde, é brindado com um miradouro com uma vista soberba sobre o rio Cávado e sobre as montanhas verdejantes. Ao passar por ele de carro somos automaticamente obrigados a parar para admirar esta vista deslumbrante.

  • Fojo do Lobo

Um dos principais interesses de Fafião é o Fojo do Lobo, que é nada mais nada menos do que uma ancestral armadilha para caçar os lobos que comiam o gado da região. A estrutura, com cerca de 64 metros de comprimentos e com um poço com cerca de 3 metros de profundidade, era escondida com folhas e arbustos para enganar desta forma o predador.

  • Miradouro de Fafião

Todos os miradouros do PNPG são deslumbrantes, mas o Miradouro de Fafião ficou especialmente na nossa memória. Localizado nas proximidades de um pequeno campo de futebol, na zona mais alta de Fafião, o miradouro é de fácil acesso sendo apenas necessário percorrer um trilho que não demorará mais do que 5 minutos. O miradouro é uma elegante estrutura metálica construída sob dois rochedos e de lá temos uma visão panorâmica de todas as montanhas em redor. Uma vista e peras!

  • Poço Verde

Um dos segredos mais bem guardados do Gerês, o Poço Verde encontra-se escondido num vale do Rio Fafião a cerca de 2,5km de Fafião. Para poder banhar-se na lagoa de águas verdejantes e cristalinas deve estacionar o carro nas proximidades do campo de futebol de Fafião e seguir pela estrada de terra batida até ao mesmo. O percurso é de fácil acesso.

Cascata do Tahiti (Cascata de Fecha de Barjas)

A Cascata de Fecha de Barjas, conhecida como a Cascata do Tahiti, é sem dúvida alguma um dos locais mais conhecidos do Gerês e igualmente um dos mais deslumbrantes. Nos últimos anos tornou-se a estrela maior dos feeds de instagram do PNPG e a chegada maciça de pessoas ao local também. Quando nos deparamos com a sua magnitude e beleza é fácil perceber o porquê de ser considerada a cascata mais bonita do Gerês. Toda a envolvência natural e o som ensurdecedor da força da água a cair dos penhascos faz-nos acreditar que estamos realmente no paraíso.

Atenção: É de realçar que, embora seja fácil aceder à região da cascata que fica a escassos metros da estrada CM1276, alcançar a última e maior lagoa que a cascata proporciona requer alguma ciência. Por isso muito cuidado ao descer pelo trilho, muitas vezes húmido, escorregadio e sempre acentuado. Já por várias vezes aconteceram acidentes, alguns mortais, ao aceder às cascatas do Gerês, por isso todo o cuidado é pouco.

Miradouro da Ermida

Não muito distante das Cascatas Tahiti, na localidade de Ermida, encontramos mais um miradouro com uma vista incrível sobre o verde da serra. Nunca nos cansamos de admirar a imensidão da serra e os encantos naturais desta região. Que locais melhor do que os muito miradouros espalhados pelos pontos altos do Gerês? A vista do Miradouro da Ermida é apenas outra vista impressionante!

Vila do Gerês

A vila do Gerês é o ponto central do PNPG e um excelente ponto de partida para conhecer toda a região. Quem procurar uma localização central para ficar hospedado, com todos os serviços nas imediações incluindo alguns dos melhores restaurantes, pernoitar na vila do Gerês é uma das melhores opções.

Neste dia passamos na vila para a conhecer e consideramo-la bem simpática. O nosso objetivo era fazer um pequeno passeio pelo Parque das Termas, mas no momento da nossa passagem o portão de entrada estava fechado. Problema de viajar em tempos de Covid-19.

Vilar da Veiga

Vilar da Veiga, localizado a meros quilómetros da vila do Gerês, é outra localidade com excelentes condições para ser escolhida para pernoitar devido à sua localização. A paisagem em redor é deslumbrante, rodeada pela serra sempre verdejante e pelas manhãs é costume existir aquele leve nevoeiro que confere um misticismo agradável a esta acolhedora vila. A Albufeira da Caniçada origina ainda maior beleza paisagística à região, não deixe de admirar esta verdadeira maravilha da natureza.

Praia Fluvial do Alqueirão

O dia já ia longo e, como estávamos um pouco cansados, decidimos por bem retirar o resto do dia para nos refastelarmos na areia entre os banhos refrescantes na Albufeira da Caniçada. Esta praia para além de ser divinal para ir a banhos também é muito procurada para a prática de desportos náuticos, existindo empresas no local que dispõe de equipamento para a prática.

Da outra margem do rio Cávado existe a Praia da Barca, que embora tenha um areal mais pequeno é paisagisticamente igualmente deslumbrante.

3º Dia

Miradouro da Pedra Bela | Miradouro das Rocas | Cascata do Arado | Poço Azul

Miradouro da Pedra Bela

Iniciámos o nosso terceiro dia pelo Gerês naquele que é provavelmente o miradouro mais conhecido do PNPG e consequentemente o mais procurado. Possivelmente por o visitarmos logo pelo início da manhã conseguimos estar a sós com aquela que é para muitos a melhor paisagem de toda a região.

A 829 metros de altitude conseguimos avistar o vale serpenteado por elevadas montanhas repletas de verde onde a Albufeira da Caniçada e os rios que furam a serra dão o azul que se destaca do panorama quase integralmente esverdeado. Um verdadeiro paraíso visual que ficávamos horas a maravilhar-nos, é de facto uma vista assombrosa!

Miradouro das Rocas

Continuamos o trajeto para o nosso próximo destino, a Cascata do Arado. Estacionamos o carro logo no largo de alcatrão antes de iniciar a descida pela estrada de terra batida com receio de danificar o carro na estrada esburacada. Quando o fizemos descobrimos que no cimo de um penhasco existia o Miradouro das Rocas e fãs de miradouros como somos não podíamos deixar de subir até ele!

Como todos os bons miradouros estão localizados bem lá no alto, este não é exceção, mas para chegar ao topo terá de ter forças para uma subida acentuada enquanto muda de pedra para pedra. Embora não seja fisicamente acessível a verdade é que neste miradouro a vista sobre a serra é realmente deslumbrante. Vale o esforço!

Cascata do Arado

A Cascata do Arado é uma das mais conhecidas do PNPG e uma das que tem melhor acessibilidade. Como aconselhamos no ponto anterior, o melhor mesmo é deixar o carro junto ao sopé do Miradouro das Rocas, na estrada alcatroada e evitar danificar o carro na estrada de terra batida que tem alguns buracos. Desta forma aproveita para fazer um agradável passeio pela natureza enquanto observa alguns pormenores pelo caminho. Se decidir-se aventurar com o carro pela estrada de terra, o perigo não é grande, existe muitas pessoas a fazê-lo e com cuidado não acontecerá nada de errado à sua viatura.

À sua espera está uma sucessão de quedas de água que termina numa piscina natural avantajada onde as pessoas costumam ir a banhos. A melhor forma de chegar à piscina natural é após passar a ponte descer à sua direita em direção às pedras e caminhar com cuidado de pedra para pedra até à piscina. Se seguir pela subida exatamente ao lado da ponte irá chegar a um miradouro com uma vista privilegiada para a cascata.

Poço Azul

O Poço Azul é um dos tesouros mais bem guardados do Gerês! Para o encontrar é necessário realizar uma caminhada com cerca de 12km (ida e volta) o que desencoraja muito a encontrá-lo.

Toda a caminhada, entre encontrar o trilho certo e admirar a natureza que nos rodeia, torna a experiência ainda mais inesquecível. Quando, após 6km de caminhada, nos deparamos com um poço de tonalidade verde esmeralda temos a sensação que encontramos um verdadeiro tesouro. Boquiabertos no cimo de um desfiladeiro, descemos desalmados atrás do mergulho merecido após uma longa caminhada onde o sol não foi nosso aliado. As águas são límpidas, mas das mais gélidas que tivemos oportunidade de mergulhar. Segundo consta, o Poço Azul poderá ter 6 metros de profundidade pelo que mesmo em dias quentes de verão o sol tem muito dificuldade em aquecer água tão profunda.

Como chegar ao Poço Azul?

Chegar ao Poço Azul não é das tarefas mais fáceis! Nós temos duas propostas de locais para estacionar o automóvel: ou estaciona em frente ao Miradouro das Rocas (o que fizemos) e percorre todo o percurso passando pela Fonte do Arado e Cascata do Arado, ou então segue de carro por sua conta e risco por essa estrada e após passar a ponte na proximidade da Cascata do Arado continua a subir por cerca de 100m e irá encontrar um estacionamento onde pode deixar o carro.

Após chegar a esse estacionamento deve seguir pela estrada de terra batida cerca de 3km até à Tribela. Quando aí estiver deve cortar à esquerda e após 1km irá encontrar uma casa com piscina (Casa do Doutor), após ultrapassá-la deve seguir pelo trilho marcado pelos pastores. Seguindo esse trilho irá descer uma encosta acentuada até chegar à beira do Rio Conho, onde existirá uma ponte de madeira para passar o rio e depois irá iniciar uma subida já no outro lado. Já no cume dessa encosta irá encontrar uma Casa de Abrigo onde deve virar à esquerda seguindo sempre o leito do rio. Essa viragem à esquerda é um trilho de pastores que deve seguir durante 2km. Após essa distância, e se tiver com atenção à paisagem, à sua direita irá avistar o deslumbrante e tão desejado, Poço Azul!

4º Dia

Mata da Albergaria | Cascata da Portela do Homem | Santuário de São Bento da Porta Aberta | Barragem de Vilarinho das Furnas | Brufe | Germil

Mata da Albergaria

Os bosques do Gerês são todos eles lindíssimos, mas na Mata da Albergaria parece que estamos na presença de um bosque encantado. Para a conhecer o melhor é percorrer a Geira Romana, uma estrada romana que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga, Espanha). Uma estrada em que as pedras do seu empedrado permanecem vivas e carregadas de histórias das centenas de pessoas que percorreram os seus 318 quilómetros de caminho. Uma mata em que os velhos carvalhos são os principais cicerone mas onde toda a biodiversidade prospera. Não deixe de conhecer esta maravilha da natureza!

Nota: O acesso à Mata da Albergaria no verão é condicionada e está sujeita à taxa de 1,50€ entre os meses de Junho e Setembro.

Cascata da Portela do Homem

A Cascata da Portela do Homem é uma das mais conhecidas da Serra do Gerês e uma das mais procuradas na hora de ir banhos. Nos meses de verão é comum vê-la à pinha de corajosos que se atrevem a mergulhar nas águas gélidas do Rio Homem.

Pela facilidade de acesso, na berma da estrada da Mata da Albergaria esta cascata consegue atrair muitos curiosos. A facilidade em aceder e, obviamente, a beleza única da sua envolvência e da água que cai fortemente do cimo de um penedo granítico formando uma avantajada lagoa de águas límpidas. É locais como este que atraem tantos turistas ao fantástico PNPG.

Como ir?

Em toda a estrada da Mata da Albergaria é proibido estacionar, sendo por isso proibido estacionar junto à ponte que dá acesso à cascata. Por isso deve estacionar na localidade da Portela do Homem e descer a pé durante cerca de 10 minutos. Chegando à ponte devem-se preparar para uma escalada de pedra para pedra, sempre com muito cuidado até chegar à lagoa da cascata.

Santuário de São Bento da Porta Aberta

Localizada na freguesia de Rio Caldo, encontramos o segundo santuário mais visitado do país, só superado pelo Santuário de Fátima. Este santuário começou por ser uma pequena igreja construída no ano de 1615 mas foi ampliada no século XIX e deu origem à estrutura tal como a conhecemos hoje em dia. São Bento da Porta Aberta é hoje um local de paragem obrigatória por terras do Gerês e um dos locais com maior carga espiritual. A paisagem ao seu redor dá ainda maior valor ao já de si magnifico santuário.

Barragem de Vilarinho das Furnas

As águas da Barragem de Vilarinho das Furnas escondem, embora mal, uma das histórias mais marcantes do PNPG. Para a construção da barragem, a aldeia de Vilarinho das Furnas ficou submersa pelas águas do Rio Homem, mas ainda hoje em anos de tempo seco, principalmente no final do verão e início do outono, é possível ver as ruínas da aldeia quando a barragem baixa o caudal. Junto à barragem encontra-se o Centro Interpretativo de Vilarinho da Furnas caso queira ficar a saber um pouco mais sobre a história desta extinta aldeia.

Brufe

A poucos quilómetros da barragem encontramos a pitoresca aldeia de Brufe, onde despontam diversos traços do património rural, desde logo os espigueiros, as típicas casas graníticas e os moinhos de água. Não deixe de conhecer esta pequena aldeia através de um passeio pelas suas ruas e contacte de perto com o dia-a-dia rural do Gerês.

Germil

Outra pérola do Gerês rural é a serrana aldeia de Germil. Localizada em plena Serra da Amarela, esta pequena aldeia está rodeada de imponentes penedos e repleta de densa vegetação. Uma típica aldeia onde a agricultura prospera e o ambiente de outrora continua bem conservado e enraizado no dia-a-dia dos seus habitantes. É um verdadeiro privilégio conhecer nos dias de hoje aldeias que ainda nos conseguem fazer viajar no tempo!

5º Dia

Soajo | Lindoso | Santuário Nossa Senhora da Peneda | Castro Laboreiro | Sistelo

Soajo

Soajo é das aldeias mais típicas onde as tradições seculares continuam ainda bem presentes no dia-a-dia dos populares. Localizada numa zona montanhosa, em plena Serra do Soajo, chegamos a uma das aldeias mais ricas em património histórico e cultural do Gerês sempre envolvidos em paisagens naturais de cortar o fôlego.

O que visitar em Soajo?

  • Espigueiros de Soajo

O grande cartão de visita de Soajo são os seus 24 espigueiros, que são umas simples construções utilizadas para secagem do milho. Estas eiras comunitárias são uma das imagens de marca da região minhota e um símbolo carismático do quotidiano rural. Estas simples construções graníticas tinham a função de secar e armazenar o milho longe dos incómodos roedores, mantendo assim intacto aquele que era para muitas pessoas o seu principal sustento. A sua importância era tal que no cimo da maioria dos espigueiros encontramos a cruz de cristo simbolizando a proteção divina deste bem tão precioso.

  • Ponte da Ladeira

A escassos metros dos Espigueiros de Soajo inicia-se o caminho da ladeira que leva até à ponte com mais de 500 anos de história. O caminho não é de fácil acesso, embora a paisagem seja deslumbrante o trilho necessita de uma recuperação devido à já gigante vegetação que o invade. Segundo pudemos apurar junto de uma popular a ponte teve uma importância enorme na travessia do rio, sendo o caminho utilizado pelos habitantes de Cunhas que se dirigiam a Soajo para tentar comprar alguma coisa para sobreviver, sendo Soajo a única aldeia das redondezas que já dispunha de algum comércio.

  • Poço Negro

Uma das pérolas da natureza de Soajo também se encontra a cerca de 1km de distância dos espigueiros. Rodeado por densa vegetação e elevadas montanhas, encontramos o Poço Negro e ficamos fascinados com o lugar que incentiva qualquer um a banhar-se nas suas águas geladas.

O acesso é bastante simples, na estrada M530 irá encontrar uma tímida tabela que indica a existência do poço por isso vá com atenção que a indicação não é muito expressiva. Depois o acesso faz-se por uma escadaria segura e já cá em baixo é apenas necessário caminhar com precaução por meia dúzia de pedras e já se irá encontrar na berma do poço.

  • Poço das Mantas

Na região norte da aldeia de Soajo encontramos o Poço das Mantas uma pequena cascata que gera um curso de água que forma uma pequena e bem arranjada praia fluvial. Um excelente sítio para se refrescar nas águas gélidas da serra.

Lindoso

Continuamos a nossa saga pelas aldeias mais charmosas e históricas do Gerês, a aldeia do Lindoso é como o próprio nome sugere uma das mais belas aldeias da região norte de Portugal. Como a generalidade das aldeias minhotas, a sua população dedica-se maioritariamente à agricultura e à criação de gado. Visitar aldeias como o Lindoso que nos vêm à memória o Portugal de outros tempos e é curioso que ainda nos dias de hoje continuem a existir regiões do nosso país que são uma autêntica lembrança viva do nosso passado.

O que visitar em Lindoso?

  • Espigueiros de Lindoso

Como referimos nos Espigueiros de Soajo, em toda as típicas aldeias minhotas existem os tradicionais espigueiros, mas em Lindoso estamos na presença da maior eira comunitária da Península Ibérica com 60 espigueiros. Alguns destes espigueiros já contam com cerca de 300 anos de história e são a memória viva do sentido de comunidade que se fazia sentir nesta aldeia. Estes espigueiros são um dos locais mais instagramizáveis de todo o Gerês.

  • Castelo de Lindoso

É no alto do Castelo de Lindoso que tivemos uma das melhores vistas desta nossa passagem pelo PNPG. Com uma vista privilegiada sobre a albufeira da Barragem do Alto-Lindoso e sobre os Espigueiros de Lindoso este local é de passagem obrigatório para quem passe nesta aldeia. Neste castelo, recheado de histórias e lendas, desenrolaram-se diversas batalhas na luta pela independência de Portugal que devido à proximidade com Espanha eram recorrentes. Conheça este castelo histórico, a entrada é gratuita!

  • Barragem do Alto-Lindoso

A Barragem do Alto-Lindoso, concluída em 1992, é a maior e mais potente barragem dedicada à produção de energia hidroelétrica em Portugal. Conheça as paisagens soberbas da sua albufeira e a sua vertiginosa muralha de betão.

Santuário Nossa Senhora da Peneda

Um dos locais mais bonitos que encontramos na nossa passagem pelo Gerês foi o Santuário Nossa Senhora da Peneda. Inserido num vale profundo, num local remoto encontramos uma construção deslumbrante, que apelidamos como o mini Bom Jesus de Braga. Segundo consta este santuário ficou construído em 1875 em homenagem à aparição da Nossa Senhora das Neves a uma pastora em 1220.

As suas longas escadarias e estátuas com a capela no alto são de uma beleza arquitetónica ímpar que ganha um encanto ainda maior pela sua localização peculiar no meio da beleza incrível da biodiversidade do PNPG.

Castro Laboreiro

Continuamos o nosso caminho em direção a norte passando pelas lindas estradas de Lamas de Mouro até chegarmos à mítica aldeia de Castro Laboreiro. Ao contrário da maior parte do território do Gerês, aqui os terrenos não são férteis nem fáceis de moldar pelo que a povoação teve que se adaptar às condições morfológicas e climatéricas adversas. É por ser tão remota e com costumes tão próprios que o povo castrejo conseguiu manter praticamente intacto os seus costumes e tradições. Foi sem dúvida a nossa aldeia de eleição!

O que visitar em Castro Laboreiro?

  • Castelo de Castro Laboreiro

Para grandes vistas grandes sacrifícios! Para visitar o Castelo de Castro Laboreiro localizado a 1033 metros de altitude é necessário caminhar cerca de 20 minutos maioritariamente a subir por um caminho não lá muito simples. Porém quando se chega à antiga fortaleza somos presenteados com uma das melhores vistas das nossas vidas sendo todo o esforço recompensado. O local, praticamente em ruínas, onde ainda se consegue distinguir a muralha e a torre de menagem, foi sem dúvida um dos momentos altos da nossa passagem pelo Gerês!

  • Ponte da Cava da Velha

A Ponte da Cava da Velha é outro local inacreditável dono de um enquadramento paisagístico irrepreensível e de características arquitetónicas notáveis. Embora pareça uma ponte medieval, segundo pudemos apurar trata-se de uma ponte moderna, mas com algumas características que nos levam a pensar que se trata de uma ponte romana. Romana ou não este local é realmente incrível!

  • Ponte Velha de Castro Laboreiro

A chamada “Ponte Velha” ou “Ponte dos Mouros” remonta à época medieval e serviu principalmente de acesso aos diversos moinhos existentes na margem do Rio Laboreiro. Esta ponte encontra-se à saída da vila e é de fácil acesso.

Sistelo

Apelidada de Tibete Português a aldeia de Sistelo dispensa apresentações e a sua beleza também. É tão incrível que mereceu a distinção como uma das aldeias vencedoras das 7 Maravilhas de Portugal e a classificação a toda a aldeia de Património Natural e Cultural. À partida esta visita, por todos os galardões já atribuídos, era auspiciosa mas Sistelo não desiludiu!

O que visitar em Sistelo?

  • Centro de Sistelo

O interior da aldeia é de um enorme interesse histórico e cultural e todo ele encontra-se em excelentes condições como é os casos dos típicos casarios graníticos, os tradicionais espigueiros e os lavadouros comunitários um dos símbolos etnográficos da aldeia. Além de todas estas marcas culturais que tão importantes foram para o desenvolvimento da aldeia não deixe de conhecer também o Castelo do Sistelo e a Igreja Matriz.

  • Vistas para a aldeia

O que torna tão fantástica a aldeia do Sistelo e tão distinta é a paisagem fantástica que temos sobre os socalcos esverdeados. Os socalcos são a base da agricultura em terrenos acentuados permitindo assim um melhor aproveitamento dos solos. Os melhores locais para admirar a paisagem deslumbrante sobre a aldeia e sobre os socalcos é no Miradouro Chã da Armada (na berma da estrada M1289) e no Miradouro da Estrica (na aldeia da Estrica). Acredite a vista é realmente deslumbrante.

  • Passadiços do Sistelo e Ecovia de Vez

Os Passadiços do Sistelo tornaram-se motivo de verdadeira romaria à aldeia. Aos fins-de-semana Sistelo enche-se de caminhantes que desafiam a sua resistência e perícia e decidem fazer um trilho dos muitos possíveis. O trilho dos passadiços do Sistelo tem apenas 2km de distância, mas caso pretenda fazer toda a Ecovia do Vez prepare-se para 32km. Existem muitas opções de trilhos, de várias distâncias e todos eles com paisagens incríveis. Conheça aqui as opções.

Gerês | Onde dormir?

Quando começar a preparar a viagem pelo Gerês um dos pontos primordiais é escolher onde ficar hospedado.

A região do Gerês é enorme e com muito para visitar por isso caso não disponha de muito tempo para a explorar aconselhamos a dividir as noites disponíveis por várias localidades evitando assim o tempo desperdiçado em viagens de ida e volta. Acredite conduzir no Gerês demora o seu tempo! Neste caso considere pernoitar na aldeia de Pitões das Júnias (região este), Vila do Gerês (região central), Sistelo ou Castro Laboreiro (região oeste).

Caso tempo não seja o seu problema pode optar por montar o seu “quartel-general” numa região central e a partir daí conhecer todo o PNPG. Neste caso é vantajoso pernoitar em Vila do Gerês ou Campo do Gerês.

A região do Gerês é uma das regiões com mais procura de Portugal por isso considere reservar alojamento com alguma antecedência. Se pretender pernoitar numa casa privada inserida em pleno PNPG com todas as condições de conforto e privacidade espreito o site Top Gerês.

As nossas opções:

Casa do Preto (Pitões das Júnias)

A nossa primeira estadia foi na Casa do Preto na genuína aldeia de Pitões das Júnias e que bem recebidos que fomos. Ficamos alojados num quarto espaçoso com excelentes condições de higiene e conforto e com uma vista deslumbrante para a vila e para a serra. O ponto de destaque da nossa estadia estava na hora da refeição. A maioria dos produtos usados na confeção dos pratos é de produção própria com os verdadeiros sabores de Pitões das Júnias. Ao jantar escolhemos uma Feijoada Transmontana e ficamos deliciados com a saborosa carne fumada. O pequeno-almoço seguiu o mesmo nível e experimentamos o queijo, compota, pão e os bolos, todos eles de produção dos proprietários da Casa do Preto.

Parque Cerdeira (Campo do Gerês)

A nossa segunda estadia foi num bungalow do magnifico Parque de Campismo da Cerdeira, considerado por muitos o melhor parque de campismo do país. Nós ficamos boquiabertos com toda a envolvência natural do parque que nos deixou completamente rendidos! Em relação ao bungalow encontrava-se perfeitamente equipado com todas as condições para a elaboração das nossas refeições, boas condições de climatização e de higiene. Demos um passeio pelo parque e tem excelentes espaços para campismo e os balneários são recentes e bastante limpos. Um parque de eleição!

Faz download gratuito do roteiro do Gerês e tem acesso em qualquer lugar e a qualquer hora!

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